Grécia recrimina partido ultradireitista que negou a existência do Holocausto

Nikolaos Mihaloliakos, cujo partido teve crescimento expressivo na última eleição, qualificou de 'exagero' a cifra de 6 milhões de judeus mortos nos campos de concentração nazistas

Reuters

14 Maio 2012 | 17h37

ATENAS - O governo grego e a comunidade judaica recriminaram na segunda-feira o líder de um partido ultradireitista que negou terem existido câmaras de gás nos campos de concentração nazistas.

Nikolaos Mihaloliakos, cujo partido Aurora Dourada teve crescimento expressivo na inconclusiva eleição de 6 de maio, contestou a tese de que 6 milhões de judeus foram mortos na Segunda Guerra Mundial.

"Não houve fornos, isso é uma mentira (...), não houve câmaras de gás também", disse Mihaloliakos em entrevista no domingo ao canal de TV Mega.

O Aurora Dourada, cujos integrantes se cumprimentam com uma saudação tipo nazista, recebeu quase 7 por cento dos votos, numa eleição marcada pelo crescimento de partidos radicais contrários às políticas de austeridade adotadas no país em troca da ajuda financeira internacional.

Mihaloliakos qualificou de "exagero" a cifra de 6 milhões de judeus mortos, e disse que "muita gente de nações diferentes" morreu nos campos de concentração alemães, assim como muitos japoneses morreram em campos dos EUA.

"Condeno da forma mais categórica possível tais opiniões, que distorcem a história e ofendem a memória de milhões de vítimas do holocausto", disse o porta-voz governamental Pantelis Kapsis.

Cerca de 70 mil judeus gregos morreram em campos de concentração nazistas, a maioria da cidade de Tessalônica (norte).

(Reportagem de Harry Papachristou e Renee Maltezou)

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