Grécia tem 3o dia de distúrbios após morte de jovem

Milhares de manifestantes ocuparam na segunda-feira o centro de Atenas, queimando e saqueando lojas, no terceiro dia de distúrbios provocados pela morte de um adolescente pela polícia. A praça Syntagma, em frente ao Parlamento, ficou tomada de gás lacrimogêneo, usado pela polícia no confronto com manifestantes. Alguns foram detidos, outros receberam golpes de cassetetes. A indignação com a morte do garoto de 15 anos se soma ao descontentamento com a economia, o que pode ameaçar o impopular governo conservador. "Estamos vivendo momentos de uma grande revolução social", disse o ativista Panagiotis Sotiris, 38 anos, que participava da ocupação de uma universidade. "Os protestos vão durar enquanto forem necessários." Houve manifestações em pelo menos outras 10 cidades do país, inclusive nas turísticas ilhas de Creta e Corfu. Comunidades gregas protestaram também em cidades do exterior, como Londres e Berlim. Os jovens pareciam controlar o centro de Atenas, atacando lojas, bancos e ministérios. Uma gigantesca árvore de Natal da cidade foi queimada. A polícia prendeu 35 pessoas, e mais de 50 ficaram feridas. "Não estamos mais contando, os incidentes não podem ser contados", disse um bombeiro, acrescentando que todos os carros estão nas ruas. O fogo foi controlado em uma loja de departamentos, mas a sede da Olympic Airways continuava em chamas. Mais de 130 lojas foram incendiadas na capital, frustrando os comerciantes que contavam com o Natal para recuperar parte do faturamento em queda. Ao anoitecer, milhares de pessoas marcharam de braços dados pelas principais ruas. Anarquistas quebraram vidros de carros e chamavam os policiais de "porcos assassinos". Alguns atiravam coquetéis molotov. A violência em manifestações estudantis e explosões provocadas por anarquistas são comuns em Atenas, especialmente no bairro de Exarchia, onde o jovem Alexandros Grigoropoulos foi morto no sábado por um policial. Em três dias de distúrbios, mais de 12 delegacias foram destruídas. Um pequeno jornal governista foi atacado. No saque a uma loja de armas, os manifestantes saíram com espadas ninjas e facas. Os prejuízos são avaliados em milhões de euros. Na quarta-feira, o país terá também uma greve geral de 24 horas contra as reformas econômicas, e analistas prevêem que os distúrbios, os piores em várias décadas, devem prosseguir, ameaçando a continuidade no governo, cuja maioria no Parlamento é de apenas um deputado. "Basta deste governo, que não entende os problemas deste país", disse George Papandreou, líder do partido oposicionista Pasok (socialista). (Reportagem adicional de Renee Maltezou e Tatiana Fragou)

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