Grécia tem novos distúrbios no dia do funeral de jovem

Manifestantes enfrentam policiais na frente do Parlamento grego; adolescente foi assassinado por policial

Agências internacionais,

09 de dezembro de 2008 | 10h59

Os incidentes violentos na Grécia recomeçaram nesta terça-feira, 8, poucas horas antes do funeral de Alexandros Grigoropoulos, adolescente de 15 anos morto pela polícia no sábado. A morte não totalmente esclarecida levou o país aos piores confrontos em suas ruas em décadas. Um grupo de cerca de 300 manifestantes que participavam de uma marcha estudantil nos arredores do Parlamento grego jogou pedras contra as forças policiais que vigiavam o edifício. Ainda em Atenas, foram registrados confrontos do lado de fora do cemitério em que o menino foi sepultado. Nas cidades de Ioannina e na ilha de Corfu, grupos de radicais também protagonizaram incidentes contra delegacias. No porto de Tessalonica, os radicais atacaram os policiais com bombas de gasolina.    Veja também: Oposição pede queda de governo após protestos  Galeria de fotos dos protestos    Estudantes convocaram uma manifestação para marcar sua morte, que engatilhou protestos contra escândalos de corrupção, o aumento da disparidade entre ricos e pobres e problemas econômicos. Três noites seguidas de incêndios e saques deixaram lojas e prédios depredados em Atenas e também grandes prejuízos em outras cidades do país. As cenas de confronto devem piorar mais a imagem do pouco popular governo conservador, abalado por escândalos financeiros e lutando para manter uma estreita maioria de apenas um legislador, no Parlamento de 300 cadeiras. Aumentam as críticas ao comportamento dos policiais para conter os distúrbios. Porém o ministro do Interior, Prokopis Pavlopoulos, elogiou a atuação da força policial.   Não foram registrados feridos nos confrontos no cemitério, onde a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que lançavam pedras contra os oficiais. Cerca de 6 mil pessoas participaram do enterro de Alexandros, que foi aplaudido durante a cerimônia. O sepultamento foi tranqüilo, apesar dos gritos de "policiais, porcos, assassinos" da multidão de adolescentes que acompanhavam o funeral.   O primeiro-ministro Costas Karamanlis afirmou que os autores da violência serão responsabilizados. "Ninguém tem o direito de usar esse trágico incidente como um álibi para ações de violência bruta, para ações contra pessoas inocentes, suas propriedades e a sociedade como um todo, e contra a democracia", disse Karamanlis, após uma reunião de emergência com o presidente Karolos Papoulias.   Os distúrbios começaram na noite de sábado, após o adolescente Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, ser morto pela polícia de Atenas, no instável distrito de Exarchia. O funeral dele deve ocorrer na tarde desta terça-feira, em um subúrbio à beira do mar da capital. Dois policiais foram presos no caso, um acusado de homicídio e o outro, de ser cúmplice. Horas depois da morte, havia distúrbios em várias cidades de todo o país. A polícia anunciou na noite de segunda-feira que havia feito 89 prisões. Doze policiais foram feridos - não foi divulgado o número de civis feridos.   O líder da oposição socialista, George Papandreou, disse após reunião de emergência com Karamanlis que as pessoas perderam a confiança no governo depois de três dias de desordem no país, e pediu pela realização de novas eleições. "O país não tem um governo para protegê-lo", disse Papandreou, cujo partido já estava com mais de cinco pontos percentuais de vantagem em pesquisas de opinião antes da revolta. "Os cidadãos estão vivendo uma crise múltipla: uma crise social, uma crise de valores. As pessoas perderam a confiança no governo".   Na quarta-feira, a Grécia terá uma greve geral, apontada por analistas como mais um sinal de enfraquecimento do governo. A imprensa grega destacou nesta terça-feira a impotência de Karamanlis diante dos protestos. "Chamas se alastram enquanto o governo assiste", disse o jornal Kathimerini. "À mercê da anarquia", foi a manchete do Eleftheros Typos.   Matéria atualizada às 12h57.

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