Grécia teme violência em dia de enterro de jovem assassinado

Governo promete justiça para tentar conter os distúrbios no país desde a morte de adolescente por policial

Agências internacionais,

09 de dezembro de 2008 | 08h50

As autoridades gregas receiam que possa haver mais distúrbios nesta terça-feira, 9, quando deve ser sepultado o corpo de Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, morto a tiros por um policial em um incidente que causou manifestações violentas em várias cidades do país. O funeral deverá se realizar em um subúrbio da capital, Atenas, às 15h00 (hora local; 11h00, hora de Brasília).   Veja também: Galeria de fotos dos protestos    Uma operação de limpeza está sendo realizada na capital grega nesta terça-feira, depois de uma terceira noite de distúrbios. Bancos, lojas e hotéis em Atenas foram depredados e atacados com bombas incendiárias. O primeiro-ministro grego, Costas Caramanlis, pediu a condenação unânime e o isolamento para os causadores dos distúrbios violentos na Grécia, e prometeu justiça para a morte do jovem pela polícia. "Ninguém tem direito de utilizar este fato trágico como uma desculpa para as ações de violência contra cidadãos inocentes, seus bens, contra a polícia e a democracia", disse Caramanlis à imprensa, depois de se reunir, em Atenas, com o presidente grego, Carlos Papoulias, a fim de discutir a tensa situação no país.   Na segunda-feira, Karamanlis pediu solidariedade para com a família de Grigoropoulos, mas disse que o governo tem a obrigação de proteger a comunidade. "Os eventos inaceitáveis e perigosos que ocorreram ante as emoções mais extremas não podem e não devem ser tolerados", afirmou. Várias organizações pró-direitos humanos e estudantis convocaram para esta terça novas manifestações em protesto contra a violência policial que na noite de sábado para domingo levou à morte do adolescente. O alerta máximo, com uma grande mobilização de forças da ordem, não aparece só para vigiar as manifestações, que em dias anteriores geraram violentos enfrentamentos entre grupos radicais e policiais, mas também durante o enterro.   A polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que revidavam com bombas incendiárias. Além de dependências comerciais, carros, latas de lixo e até a gigantesca árvore de Natal na Praça Syntagma, no centro de Atenas, foram queimadas. "Raiva é o que eu sinto pelo que aconteceu. Raiva", disse um estudante que participou de um protesto. "Este policial que fez isto precisa ver o que é matar um rapaz e destruir uma vida."   Choques violentos foram registrados em várias partes do país, inclusive Rodes e Creta, na segunda-feira. Delegacias foram atacadas em Pireus e Corfu. Centenas de estudantes entraram em choque com tropas de choque em Tessalonica, a segunda maior cidade grega, onde estudantes usaram as instalações da universidade para armazenar bombas incendiárias. Karamanlis culpou "elementos extremos" de se aproveitarem da situação para praticar vandalismo, e prometeu compensar as empresas que sofreram danos.   Dois policiais foram presos em conexão com a morte de Grigoropoulos, mas o resultado do exame necrológico deve determinar a trajetória da bala que o matou e esclarecer o incidente. O policial que disparou o tiro diz que o adolescente foi morto quando a bala ricocheteou, mas testemunhas disseram à TV grega que este foi um tiro direto.

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