Grécia vota novo imposto e cidadãos protestam nas ruas

Os parlamentares gregos devem aprovar um imposto altamente impopular sobre o setor imobiliário nesta terça-feira, abrindo caminho para o retorno de inspetores de seus concessores internacionais de crédito para liberar mais ajuda ao país.

INGRID MELANDER E HARRY PA, REUTERS

27 Setembro 2011 | 12h03

A votação é um primeiro e importante teste para a capacidade do governo de levar adiante a nova série de medidas de austeridade anunciadas na semana passada para garantir ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à União Europeia que Atenas merece o desembolso de sua próxima parcela do pacote de ajuda.

"As decisões de 21 de julho são como uma Bíblia institucional para nós", disse o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, enfatizando o compromisso de cumprir as metas do acordo de resgate. "Elas são as estruturas sobre as quais nos movemos."

Mas os cidadãos gregos estão irritados com mais medidas de austeridade. Motoristas de ônibus e condutores de metrô iniciaram uma greve contra as medidas, enquanto trabalhadores do setor tributário anunciaram uma paralisação de 48 horas. Os manifestantes prometeram aumentar os protestos.

Uma coluna de caminhões de lixo e trabalhadores municipais em motos seguia lentamente em frente ao Parlamento acionando as buzinas na Praça Syntagma, onde cerca de 100 pessoas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais em junho.

Em outra parte da praça, centenas de ativistas carregando faixas que diziam "Sem novos cortes!" e gritando "Peguem seu resgate e vão embora!" marcharam no Ministério das Finanças, onde a policiais da tropa de choque fizeram um cordão quando Venizelos discursava.

Cerca de 92 por cento dos gregos acreditam que as medidas de austeridade não são justas, enquanto 72 por cento acham que elas não vão funcionar, segundo pesquisa GPO transmitida pela televisão Mega na véspera. Vinte e três por cento disseram que não pagarão os novos impostos.

Cada vez mais impacientes com o ritmo lento de reformas, uma equipe "troika" reunindo Fundo Monetário Internacional (FMI), União Europeia (UE) e Banco Central Europeu (BCE), deixou a Grécia e ameaçou cortar a ajuda ao país, fazendo com que Atenas divulgasse uma estratégia intensificada.

Depois de reuniões no final de semana entre Venizelos e autoridades em Washington, fontes próximas à troika disseram que a equipe retornaria na quarta-feira e retomaria os trabalhos de avaliação da situação fiscal grega para aprovar a última etapa da ajuda.

Venizelos e o primeiro-ministro grego, George Papandreou, enviariam uma carta de compromisso por escrito exigida pelos inspetores para mostrar que o governo está totalmente comprometido em atender suas obrigações e ele estava confiante que a Grécia receberia a ajuda.

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