Gregos correm para receber indenização por incêndios

Governo ameaça punir fraudadores que solicitarem pagamento de 3 mil euros em bancos da área atingida

KAROLOS GROHMANN, REUTERS

30 de agosto de 2007 | 10h31

Milhares de gregos lotaramagências bancárias nesta quinta-feira para pegar indenizaçõesdo governo por estragos provocados pelos piores incêndiosflorestais já registrados no país, que mataram 63 pessoas emuma semana. Qualquer pessoa pode receber imediatamente 3.000 euros(cerca de 8.000 reais) nos bancos das áreas afetadas, bastaapresentar documentos e preencher um formulário -- umprocedimento simples, que segundo o governo mostra sua rapidezna reação à crise. Mas críticos, que já haviam apontado a incompetênciainicial do governo conservador no combate ao fogo, agora dizemque o sistema de indenizações está aberto a fraudesgeneralizadas. "Quem é toda essa gente? Não reconheço um só deles, e viviaqui minha vida inteira", disse Ourania Fotopoulou, enquantopelo menos 400 pessoas faziam fila diante de uma agênciabancária em Pyrgos, capital provincial na península ao sul doPeloponeso, região mais afetada. Muita gente na fila falava com sotaque de fora da região, ealguns admitiam ter vindo de lugares distantes, como Atenas ouTessalônica, cidade 600 quilômetros ao norte dali. "Vieram para cá centenas de ciganos que não moram aqui",queixou-se à Reuters Gerasimos Halilopoulos, um cigano dePyrgos. "Isso está dificultando minha vida, porque preciso dodinheiro." O governo disse que os formulários serão posteriormenteverificados e que fraudadores serão punidos. Só naquarta-feira, os bancos distribuíram mais de 24 milhões deeuros (66 milhões de reais). O primeiro-ministro Costar Karamanlis disse que o sistemasimplificado é o correto. "A ordem é avançar rapidamente, semqualquer demora. Estamos removendo obstáculos burocráticos.Nada deve ficar no caminho do cumprimento do nosso dever",disse ele em entrevista coletiva. A reação do governo à crise pode ser decisiva para areeleição ou não de Karamanlis nas eleições parlamentares dodia 16. O jornal Kathimerini, de centro-direita, disse que eleprecisa se recuperar da impotência inicial diante dosincêndios. Uma charge num jornal mostrou um helicóptero voando sobreuma terra queimada e lançando notas de dinheiro, enquanto opiloto diz: "Sim, primeiro-ministro, conforme o combinado,estamos lançando notas de 100 euros para que a terra fiqueverde de novo". Mais de 500 casas e enormes extensões florestais foramdestruídas pelos incêndios, os piores na Europa em uma década,segundo a Agência Espacial Européia. Dos 63 mortos, 38 estão tão queimados que só puderam serreconhecidos por exames de DNA. Os incêndios provocaram prejuízos de pelo menos 1,2 bilhãode euros, disse um ministro à Reuters. Cidadãos já doaram 38 milhões de euros a um fundo de ajuda,mas a imprensa diz que há risco de que o dinheiro seja desviadopara fraudadores.

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