Gregos entram em greve contra aperto fiscal

Os trabalhadores da Grécia entraram em greve de 24 horas nesta quinta-feira, paralisando o sistema de transporte público em protesto contra a decisão do governo de intensificar o aperto fiscal para garantir mais empréstimos e evitar a bancarrota do país.

LEFTERIS PA, REUTERS

22 Setembro 2011 | 08h32

Dezenas de milhares de trabalhadores irritados preparavam-se para marchar ao Parlamento, em Atenas, como parte dos primeiros grandes protestos nacionais desde junho, quando manifestações diárias culminaram em conflitos sangrentos com a polícia.

Motoristas de táxi e ônibus e funcionários do metrô e do trêm obrigaram os cidadãos a usar seus próprios carros, gerando congestionamentos quilométricos e isolando turistas nos hotéis do centro histórico da capital.

"A situação é dramática, todas as ruas principais estão travadas", disse um policial de trânsito. A paralisação dos controladores de tráfego aéreo atrasou 100 voos em até quatro horas, e mais dezenas de pousos e decolagens foram cancelados.

Depois que inspetores da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) deixaram claro que estavam perdendo a paciência com o descumprimento das metas fiscais pela Grécia, o governo aprovou novas medidas na quarta-feira.

Além de cortar aposentadorias e prorrogar um aumento de imposto sobre propriedade, o governo grego colocou 30 mil funcionários públicos na "reserva", reduzindo seus salários para 60 por cento e dando a eles 12 meses para encontrar novos empregos no setor estatal para não perder seus cargos.

"Essa é uma política que nós não toleramos, que nós não queremos. Estamos em oposição contínua, total e permanente a ela", disse Yannis Panagopoulos, presidente da união sindical do setor privado GSEE, à NET TV.

Com projeções apontando uma contração de até 5 por cento na economia este ano -- após retração de 4,4 por cento em 2010 -- e o desemprego em 16 por cento, a maioria dos gregos tem pouca esperança de que as medidas de austeridade possam ajudar o país a sair da crise.

"Nós estamos vivendo com o terror de poder perder nossos empregos, nossas vidas. Mesmo se essas demissões forem necessárias, nós não estamos sendo tratados como humanos", disse Costas Andrianopoulos, 32, que trabalha no Teatro Nacional.

Os inspetores da UE e do FMI devem voltar a Atenas no começo da semana que vem para completar sua avaliação.

(Reportagem adicional de Tatiana Fragou e Daphne Papadopoulou)

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