Gregos fazem greve contra medidas de austeridade às vésperas de visita de Merkel

Milhares de gregos em greve marcharam até o Parlamento, nesta quarta-feira, para protestar contra os cortes de empregos e medidas de austeridade impostas por credores estrangeiros, incluindo a Alemanha, cuja líder visitará Atenas esta semana.

RENEE MALTEZOU E COSTAS PITAS, Reuters

09 de abril de 2014 | 13h22

Escolas e farmácias foram fechadas, os navios permaneceram ancorados nos portos, hospitais operaram com equipe de emergência e o transporte em Atenas foi interrompido devido à greve de 24 horas convocada pelas centrais sindicais dos setores público e privado.

Mais de 20 mil trabalhadores, aposentados, estudantes e desempregados marcharam pacificamente pelas ruas da capital grega cantando "UE, FMI peguem o resgate e deem o fora daqui!", em referência à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os sindicatos disseram que a sua mensagem antiausteridade também visava a chanceler alemã, Angela Merkel, que deve se reunir com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, em Atenas, na sexta-feira. A Alemanha tem insistido em cortes nos gastos e aumentos de impostos dolorosos na Grécia em troca dos empréstimos internacionais.

"É hora de salvar as pessoas, não os bancos", disse o economista de 59 anos Eleni Prokou. "Merkel e a troika (comissão de credores internacionais) devem parar de botar o nariz em nosso negócio."

A multidão presente na marcha desta quarta-feira, que terminou em duas horas, foi semelhante a dos protestos realizados durante a última greve nacional, em novembro.

Os sindicatos organizaram dezenas de greves desde o primeiro resgate à Grécia em 2010, com a participação em alguns comícios superando 100 mil pessoas, testando a vontade do governo para implementar as reformas exigidas pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional.

Os manifestantes dizem que a crise, pela qual muitos gregos culpam uma elite política corrupta, só atingiu os pobres.

O governo se qualificou para mais empréstimos internacionais depois que aprovou uma lei de reforma exigida pelos credores no mês passado.

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