Gregos fazem greve enquanto UE diverge sobre novo resgate

Os gregos estavam em greve para protestar contra a nova série de medidas de austeridade fiscal do governo nesta quarta-feira, após a falta de acordo entre os ministros da zona do euro sobre como fazer os investidores privados contribuírem para o segundo resgate financeiro ao país altamente endividado.

REUTERS

15 de junho de 2011 | 09h22

Durante a greve nacional de trabalhadores, milhares de manifestantes -- alguns gritando "Ladrões, traidores! Para onde foi o dinheiro?" -- se aglomeravam em frente ao Parlamento para tentar impedir que os congressistas aprovassem mais aumentos de impostos, cortes de gastos públicos e privatizações.

Cerca de 1.500 policiais isolaram com faixas uma parte do centro de Atenas e construíram barricadas de metal de dois metros de altura para proteger o Parlamento, cercando-o com carros de polícia e canhões d'água.

Em Bruxelas, ministros das Finanças das 17 nações do bloco monetário europeu debateram até a madrugada sobre como fazer os credores privados partilharem o custo do segundo plano de ajuda em dois anos sem gerar turbulências ainda piores nos mercados financeiros.

Eles buscam fechar um acordo na cúpula da União Europeia, nos dias 23 e 24, e vão se reunir novamente na noite de domingo, em Luxemburgo. Porém, o aparente impasse de terça-feira e a ausência da habitual entrevista coletiva no final mandou o custo de proteger a dívida grega contra moratória para o maior nível já registrado.

Um documento da Comissão Europeia, publicado pelo Financial Times, sobre as opções para o envolvimento do setor privado, mostrou as dificuldades que a zona do euro enfrenta para evitar a instauração de um caos nos mercados.

Uma rolagem voluntária de bônus gregos perto do vencimento, defendida pela França e pelo Banco Central Europeu (BCE), oferece o menor risco causar um rebaixamento de rating para a Grécia, mas seria impossível quantificar a contribuição do setor privado antecipadamente.

Isso significaria que os países da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) teriam de entrar com mais capital para inteirar os 120 bilhões de euros necessários em empréstimos, com 30 bilhões vindos de privatizações.

Uma troca de bônus, envolvendo o adiamento do prazo dos títulos em sete anos, é favorecida pela Alemanha e pela Holanda. Isso levantaria a maior parte do capital exigido, mas teria o maior risco de contágio, com investidores de outros bônus soberanos tomando ações de prevenção para evitar medidas similares em outros países, segundo o jornal.

Uma outra opção, a rolagem voluntária de dívida com incentivos limitados positivos, atrairia uma participação maior e tornaria possível antecipar a contribuição do setor privado, mas elevaria o risco de rebaixamento da Grécia e contágio de outros países.

O último plano de austeridade da Grécia prevê 6,5 bilhões de euros em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais neste ano, dobrando as medidas que levaram o desemprego para o recorde de 16,2 por cento e estenderam a recessão para o terceiro ano seguido.

(Por Renee Maltezou e Jan Strupczewski; Reportagem adicional de George Georgiopoulos, Harry Papachristou e Ingrid Melander em Atenas, Ana Nicolaci da Costa em Londres e Lionel Laurent em Paris)

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