Gregos não confiam no governo para resolver crise, diz pesquisa

A maioria dos gregos acredita que seu novo governo será incapaz de tirar o país da sua grave crise econômica, segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira.

Reuters

12 de julho de 2012 | 19h11

Para pagar suas contas, a Grécia depende de um segundo pacote de resgate do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, num valor de 130 bilhões de dólares.

Mas os credores exigem como contrapartida a continuidade de medidas de austeridade que contribuíram para levar o país à sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial e elevar o desemprego à faixa dos 20 por cento.

Sob comando do primeiro-ministro Antonis Samaras, uma coalizão formada por conservadores, socialistas e esquerdistas exigiu logo depois da sua posse mudanças no pacote internacional, mas depois disso, diante do risco da insolvência, o governo atenuou suas reivindicações.

A pesquisa, encomendada pela TV Skai e pelo jornal Kathimerini e realizada entre os dias 5 e 10 de julho, mostrou que 51 por cento dos gregos acham que o governo é incapaz de lidar com os problemas do país, contra 47 por cento que confiam.

A recessão grega já está em seu quinto ano, e muitos gregos tiveram de enfrentar reduções nos seus salários e pensões.

Para 66 por cento dos entrevistados, a Grécia está no rumo errado. Só 23 por cento consideram que as coisas estão indo bem.

Após um acirrado processo eleitoral, no qual o país se dividiu entre os partidos pró e contra o pacote internacional, 40 por cento dos entrevistados se disseram insatisfeitos com o resultado do último pleito. Apenas 4 por cento se disseram "muito satisfeitos", e 33 por cento se consideraram "um pouco" satisfeitos.

Porém, 45 por cento veem o governo de forma positiva, contra 43 por cento que o veem negativamente.

O novo governo teve um começo turbulento, com a demissão de três ministros em três semanas. Na segunda-feira, um vice-ministro do Trabalho saiu, dizendo que o governo foi frouxo na tentativa de renegociar os termos do pacote.

Essa renúncia é um reflexo de disputas internas na coalizão sobre como renegociar o pacote, num gabinete que enfrenta também a fortalecida oposição do partido esquerdista Syriza, comandado pelo jovem e carismático político Alexis Tsipras, que é contra o resgate financeiro externo.

O Syriza por pouco não conseguiu formar um governo na última eleição, mas a pesquisa mostrou que 56 por cento dos gregos veem a oposição de forma negativa, contra apenas 31 por cento que a veem favoravelmente.

(Reportagem de Karolina Tagaris)

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