Gregos protestam em aniversário de revolta estudantil

A polícia grega atirou gás lacrimogêneo contra um pequeno grupo de manifestantes que jogava pedras enquanto milhares saiam em passeata em Atenas nesta quarta-feira, comemorando o aniversário de uma revolta estudantil em 1973 contra a ditadura que governava a Grécia na época.

REUTERS

17 de novembro de 2010 | 15h00

Cerca de 17 mil estudantes, professores, trabalhadores e aposentados seguiram sob forte chuva em direção à embaixada norte-americana, cantando slogans mais relevantes à atual crise de dívida da Grécia, como "Sem FMI, sem UE, vamos assumir nosso próprio destino."

Uma testemunha da Reuters disse que um pequeno grupo de jovens vestidos de preto começaram a destruir vidraças de lojas e atiraram um foguete de sinalização contra a polícia, equipada para enfrentar a manifestação, que respondeu com gás lacrimogêneo.

A manifestação anual, vigiada por mais de 7 mil policiais, marcou a revolta na Universidade Politécnica de Atenas, na qual se acredita que dezenas de pessoas tenham morrido quando tanques derrubaram os portões da escola para conter uma revolta que precipitaria o fim do governo militar de 1967 a 1974.

"Estamos aqui para honrar a revolta histórica, mas também para protestar contra a UE e o FMI e as severas condições", disse Nicos Antoniou, de 45 anos, um funcionário de uma livraria. "Estamos cansados deste governo."

A Grécia está implementando duras medidas de austeridade, como aumento de impostos e cortes em salários, exigidos pela UE e o FMI em troca dos 110 bilhões de euros (148,5 bilhões de dólares) em empréstimos que visam tirar o país da beira da falência.

As lojas foram fechadas e o trânsito parou na capital, enquanto a manifestação, encabeçada por uma bandeira da escola politécnica manchada de sangue, atravessava a cidade até chegar à embaixada norte-americana.

"Neste ano, o aniversário encontra nosso país em uma crise prolongada, em momentos muito difíceis", disse Gregoris Tassoulas, autoridade da segurança pública. "O povo grego agora está lutando pela sobrevivência econômica."

(Reportagem de Renee Maltezou e Yannis Behrakis)

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