Gregos saúdam nomeação de novo primeiro-ministro

Os gregos elogiaram a nomeação do novo primeiro-ministro, Lucas Papademos, na sexta-feira e demonstraram esperança de que o governo dele poderia colocar a economia de volta nos trilhos e acalmar o tumulto político que ameaçou tirar a Grécia da zona do euro.

ANGELIKI KOUTANTOU E GEORGE GEORGIO, REUTERS

11 de novembro de 2011 | 13h44

Mas Papademos, ex-vice-presidente do Banco Central Europeu, enfrenta sérios desafios à frente de um novo governo de unidade criado nesta semana, após uma luta caótica pelo poder entre as duas principais forças políticas da Grécia.

Papademos tem cerca de 100 dias para começar a cumprir os termos de um plano de resgate de 130 bilhões de euros para manter a Grécia solvente.

Ele também precisa aliviar a tensão entre os líderes políticos cuja disputa antes da eleição programada para o próximo ano deixou os mercados globais nervosos e provocou críticas da União Europeia.

A maior parte da mídia grega trouxe manchetes como "Uma Nova Era" e "A Esperança Retorna" nas primeiras páginas desta sexta-feira, ao mesmo tempo em que alertou que haverá desafios à frente.

Em Atenas, as pessoas estavam otimistas de que a mudança de políticos conhecidos por obterem ganhos pessoais para um formulador de política comprovado poderia impedir uma queda econômica profunda do país.

"Estou muito feliz que ele não é um político ... Os políticos são responsáveis por esta situação. Então é melhor ter tecnocratas nos governando", disse Maria Apostolou, de 42 anos, que trabalha no ramo hoteleiro.

Papademos se reuniu na quinta-feira com representantes do Partido Socialista, do primeiro-ministro que estava de saída George Papandreou, e do partido de oposição, o Nova Democracia, liderado por Antonis Samaras.

Um comunicado do governo informou na sexta-feira que o peso-pesado do Partido Socialista Evangelos Venizelos permaneceria como ministro das Finanças quando o presidente Karolos Papoulias fizesse o juramento no novo gabinete.

Para que a Grécia obtenha a parcela de ajuda de 8 bilhões de euros de que necessita para evitar ficar sem dinheiro no próximo mês, Papademos deve aprovar um orçamento austero para 2012 e planejar a venda de empresas estatais e o combate à evasão fiscal.

A nomeação de Papademos foi bem recebida por economistas, que disseram que ele era um par de mãos seguras menos provável a vacilar diante de decisões difíceis em comparação aos políticos.

Papademos, um acadêmico de 64 anos, deve pressionar para que a Grécia cumpra os compromissos definidos no acordo de resgate, que foi ampliado em 27 de outubro para incluir mais dinheiro e induzir os credores privados a assumir perdas maiores nos bônus gregos em carteira.

Mas, apesar do acordo sobre o novo governo de unidade, muitos economistas acreditam que um calote grego é inevitável.

A carga de dívida supera 30 mil euros para cada um dos 10,8 milhões de habitantes da Grécia. Em 162 por cento da produção anual, é o dobro da média da União Europeia de 85 por cento e o triplo dos 62 por cento devidos pela Argentina quando ela declarou calote em 2001.

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