Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Greve contra proposta do governo afeta TV e rádio na França

Os funcionários do setor público de comunicação na França entraram em greve nesta terça-feira para protestar contra possíveis mudanças que, segundo eles, beneficiarão redes privadas de TV e aumentarão o poder do presidente Nicolas Sarkozy sobre a mídia. A proposta, que acabaria com a publicidade na estatal France Televisions, foi duramente criticada por sindicatos e pelo Partido Socialista, de oposição. Eles dizem que ela enfraqueceria os fundamentos financeiros da televisão pública e provocaria a perda de empregos. Programas de rádio e televisão foram interrompidos ou encurtados em vários momentos durante o dia, e a principal atração noturna de notícias da rede France 2 provavelmente seria substituída por uma versão menor, informou a rede. Além de reformar o financiamento da televisão pública, o projeto de lei daria ao governo o poder de indicar o diretor da France Televisions, nomeado antes pela CSA, órgão independente de supervisão audiovisual. O governo de Sarkozy, de centro-direita, diz que as medidas darão à France 2 e a outros canais públicos uma base financeira mais sólida, os protegerão da "tirania da audiência" e os encorajarão a inovar mais nos programas. "A reforma que eu apresentei à Assembléia certamente é a mais importante do setor de comunicação pública em mais de 20 anos", disse ao parlamento a ministra da Cultura, Christhine Albanel, pouco antes dos deputados iniciarem o debate das propostas. Mas a oposição afirma que a lei vai ajudar principalmente a maior rede privada de televisão da França, a TF1, cujo dono, Martin Bouygues, é amigo próximo de Sarkozy. O projeto também colocaria o setor público de comunicação em controle direto do Estado, dizem os opositores. "A operação está praticamente completa: em um ano, por meio de uma lei e algumas emendas, Nicolas Sarkozy vai ter colocado quase todo o setor audiovisual da França sobre sua influência", disse o diário Liberation, de orientação esquerdista e ácido crítico de Sarkozy, em editorial. A amizade de Sarkozy com empresários do setor de mídia como Bouygues, Arnaud Lagardere e Vincent Bollore são objeto de polêmica desde que o presidente saiu de descanso em um luxuoso iate de Bollore em 2007, logo após a vitória nas eleições. Com as propostas, esboçadas no começo deste ano, a publicidade na televisão pública seria proibida após as 20h a partir de janeiro, e seria totalmente banida a partir de 2011. A decisão abrirá um rombo financeiro nos quatro principais canais de TV do Estado, que será coberto principalmente com um imposto sobre as redes privadas e provedores de Internet e com apoio governamental. A ministra da Cultura disse que foram separados 450 milhões de euros para compensar a perda de receitas publicitárias, independentemente do que for recolhido com o imposto sobre o setor privado. "O que quer que aconteça, os 450 milhões de euros estão garantidos para 2009, 2010, 2011", disse ao parlamento. (Reportagem adicional de Gerard Bon e Gregory Blachier)

JAMES MACKENZIE, REUTERS

25 de novembro de 2008 | 16h38

Tudo o que sabemos sobre:
FRANCATVGREVE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.