Greve do transporte causa quase 300 km de lentidão em Paris

Paralisação parcial ainda atinge a capital francesa; funcionários lutam contra mudanças na previdência francesa

Efe,

22 de outubro de 2007 | 10h43

A manutenção por parte de sindicatos minoritários da greve no transporte público da região de Paris contra a reforma da previdência nos regimes especiais provocou nesta segunda-feira, 22, quase 300 quilômetros de congestionamento em estradas em torno da capital. A convocação dos sindicatos Sud Rail e Força Operária (FO), que defendem uma greve por tempo indeterminado desde a última quinta-feira em toda a França, levou esta manhã a uma redução significativa de trens de subúrbios em circulação em Paris. Entre um terço e dois terços dos trens habitualmente programados estavam funcionando, explicou a companhia ferroviária SNCF. Como conseqüência destas interrupções, muitos moradores de Paris optaram pelo veículo particular, e às 8h, o Centro Regional de Informação Viária contabilizava 295 quilômetros de congestionamento. O secretário-geral da Confederação Francesa de Trabalhadores (CFDT), François Cherèque, pediu o fim da greve por considerar que a paralisação "não leva a nada". Para ele, a única coisa que se consegue é "tornar desagradável a vida de dezenas de milhares de pessoas que precisam trabalhar". Cherèque, em entrevista ao canal LCI, pediu aos sindicatos que se mantenham unidos em sua estratégia para negociar a reforma dos regimes especiais de previdência, dos quais 500 mil funcionários se beneficiam, essencialmente das empresas do transporte público terrestre e dos grupos energéticos estatais EDF e GDF. O responsável na SNCF da Confederação Geral do Trabalho (CGT, majoritária na companhia ferroviária), Didier Le Reste, disse que se espera que o governo "formule novas propostas" sobre a reforma, já que, segundo ele, não pode manter "a mesma atitude" que antes da greve em massa. Em entrevista ao jornal L'Humanité, Le Reste manifestou sua intenção de organizar uma reunião com todos os sindicatos para decidir como manter o movimento de oposição aos planos do governo. Crise previdenciária O plano de reforma apresentado pelo Executivo passa essencialmente por aumentar o período de contribuição nos regimes especiais, que dá direito a uma pensão completa, dos 37,5 anos atuais a 40, para se igualar aos outros trabalhadores. O ministro do Trabalho, Xavier Bertrand, deve receber nesta segunda os representantes das empresas cujos trabalhadores se beneficiam dos regimes especiais.  Bertrand insistiu nos últimos dias em que o aumento do período de contribuição não é negociável, mas se mostrou flexível em outros pontos, em particular sobre a possibilidade de dar liberdade na idade de aposentadoria, criar uma conta de economia de tempo de trabalho ou a "compra" de anos de estudos para transformá-los em anos de contribuição. O ministro do Trabalho disse ainda que os sindicatos têm "mais a ganhar na negociação que no conflito" e assegurou que, com a reforma,os trabalhadores dos regimes especiais poderão manter seu poder aquisitivo.

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