Greve e protestos aumentam pressão sobre o governo grego

Distúrbios por morte de jovem marcam paralisação, que interrompeu transportes e serviços na onda de violência

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 13h40

O governo grego defendeu nesta quarta-feira, 10, sua resposta à crise que atingiu o país desde a morte de um adolescente por um policial em um confronto no fim de semana, afirmando que as autoridades em Atenas optaram por não adotar uma linha mais dura para evitar mais derramamento de sangue. Segundo o jornal americano The New York Times, mesmo com os novos distúrbios durante a greve geral em vigor nesta quarta, que paralisou o transporte, as escolas e os serviços em todo o país, o governo diz que a crise perderá força nos próximos dias.   Veja também: Jovem foi morto por bala perdida, diz polícia  Distúrbios provocaram danos de R$ 630 milhões Gilles Lapouge: Sistema político arcaico imobiliza a Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo  Galeria de fotos dos protestos    "Acredito que a razão vá prevalecer. E também penso que estamos fazendo o possível para evitar riscos futuros para vidas inocentes. Sem mais sangue inocente. Não há problemas se tivermos de esperar um dia ou dois", disse Panos Livadas, secretária-geral do Ministério da Informação, segundo o jornal. A afirmação coincide com a proposta apresentada pelo primeiro-ministro Kostas Karamanlis de compensar os proprietários que tiveram seus estabelecimentos destruídos nos protestos que atingiram o país desde sábado, quando o jovem Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, foi morto por um policiai.   Manifestantes lançaram bombas de gasolina contra policiais do lado de fora do Parlamento grego nesta quarta-feira, durante uma greve geral que paralisou a Grécia e aumentou a pressão sobre o governo conservador, que enfrenta a maior revolta em décadas. Cerca de dez mil pessoas marcharam para o Parlamento nesta quarta-feira, em um protesto sindical que rapidamente se tornou violento. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e os manifestantes responderam com pedras, garrafas e paus. "Governo assassino", gritavam os manifestantes, furiosos com a morte do adolescente. O crime deu início a quatro dias de violência, alimentada pela raiva latente do povo com escândalos políticos, o aumento do desemprego e a pobreza.   Testemunhas disseram que o policial atirou deliberadamente no jovem, mas seu advogado declarou nesta quarta-feira que um laudo de balística mostra que o adolescente foi morto por uma bala que ricocheteou acidentalmente, e não disparada diretamente contra o menino. "A investigação mostra que a bala ricocheteou... Portanto, isso foi um acidente", disse o advogado Alexis Kougias à Reuters. O laudo de balística ainda não foi publicado oficialmente.   Protestos estouraram em pelo menos 10 cidades, e o custo dos danos a lojas e empresas somente em Atenas é estimado em cerca de 200 milhões de euros (US$ 259 milhões), disse a Confederação Grega de Comércio. "Em Atenas, tivemos 565 lojas com sérios danos ou completamente destruídas", disse Vassilis Krokidis, vice-presidente da federação. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo jornal Kathimerini mostra que, para 68% dos consultados, o governo lidou incorretamente com a crise. Apenas 18% dos entrevistados concordam com a atuação governamental. A sondagem da empresa Public Issues tem margem de erro de 4,5 pontos, para mais ou para menos.   "A participação na greve é total, o país está paralisado", disse Stathis Anestis, porta-voz da federação sindical GSEE, que convocou uma paralisação de 24 horas. Os vôos domésticos e internacionais foram cancelados, bancos e escolas permaneceram fechados, os hospitais funcionavam em esquema de plantão e centenas de milhares de gregos faltaram no trabalho. Os sindicatos dizem que as privatizações, o aumento de impostos e a reforma previdenciária pioraram as condições do país, especialmente para os 20 por cento de gregos que vivem abaixo da linha de pobreza, bem no momento em que a crise global atinge a economia de 240 bilhões de euros.   O partido socialista de oposição afirmou que o governo, que tem uma maioria apertada e sofre nas pesquisas de opinião, perdeu a confiança do povo e que são necessárias novas eleições. "Há vontade de mudança: mudança social, econômica e política", disse Odysseas Korakidis, 25 anos, que trabalha em dois empregos. "Não é incomum ter dois empregos para ganhar só 800 ou 1000 euros por mês. Em outros países, isso é inconcebível!"

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