Greve em porto da França afeta comércio e encarece combustível

Trabalhadores do maior porto petrolífero da França entraram em seu quarto dia de greve nesta quinta-feira, impedindo dezenas de navios de abastecer grandes refinarias e empurrando para cima os preços do óleo combustível, devido aos receios de bloqueios ainda maiores.

MURIEL BOSELLI E IKUKO KURAHONE, REUTERS

30 de setembro de 2010 | 12h14

Cerca de 24 navios-tanque com petróleo e produtos refinados estavam bloqueados no centro petrolífero estratégico de Fos-Lavera, perto de Marselha, disseram as autoridades portuárias, enquanto trabalhadores protestavam contra uma lei que altera o regime de aposentadorias e buscavam garantias de manutenção de seus empregos, apesar da reforma dos portos.

Os grevistas devem reunir-se com a administração do porto na tarde desta quinta-feira.

Se a greve continuar, pode colocar em risco o processamento de até 1 milhão de barris por dia (bpd) de óleo em sete ou possivelmente oito refinarias europeias, o que equivale a aproximadamente 7 por cento da capacidade de refino da Europa.

Um comerciante que trabalha em uma empresa ligada a uma refinaria próxima ao porto disse: "O que está me afetando mais é a greve em Marselha. Há problemas para levar e tirar produtos das instalações."

Ele afirmou que a greve ainda não refletiu na taxa de uso da refinaria, mas que ele está tendo de recorrer a meios alternativos para abastecer seus clientes.

Christopher Bellew, da Bache Commodities, disse que o preço do óleo combustível no mercado futuro da ICE está subindo em parte por causa da greve e também porque a demanda está aumentando devido à necessidade de aquecimento no inverno europeu.

Os preços do óleo combustível no mercado futuro de outubro subiram 3,7 por cento às 10h09 (horário de Brasília), superando a alta de 2 por cento do óleo cru.

O porto petrolífero foi atingido por várias greves nos últimos três anos, desde que o governo decidiu privatizar as operações de descarga nas docas antes administradas pelo Estado.

"Estas greves raramente duram mais que cinco dias", disse um negociador de produtos de Londres.

Mas o impacto dos protestos foi ampliado pela pane de uma unidade de destilação de óleo cru (UDC) na refinaria de Trecate, na Itália, após um incêndio este mês, e também por paradas planejadas para manutenção em outras unidades na região, disse ele.

Uma greve semelhante de 12 dias em dezembro de 2008 ameaçou fechar várias refinarias dependentes do maior porto petrolífero da França.

Na quarta-feira a UFIP, o organismo francês da indústria petrolífera, disse temer que as operações de sete refinarias europeias possam ser prejudicadas pela nova greve e que isso possa causar prejuízos de longo prazo ao refino de petróleo na região.

"A UFIP observa com preocupação que as ações trabalhistas vêm impedindo as operações normais no porto de Marselha há vários anos, comprometendo sua competitividade e, portanto, a continuidade do refino na região", disse a UFIP.

Os grevistas estavam bloqueando a passagem de nove navios de óleo cru e 15 embarcações com outros produtos petrolíferos. Outras embarcações impedidas de usar o porto incluem oito navios de gás e quatro com cargas de produtos químicos.

O porto, pelo qual passam anualmente 64,2 milhões de toneladas de petróleo, abastece de óleo cru seis refinarias francesas e duas na Suíça e Alemanha, com capacidade total de 900 mil barris por dia, segundo estimativas da Reuters.

Mas a refinaria de Miro, na Alemanha, possui uma fonte de abastecimento alternativa, segundo a UFIP.

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