Greve marca crise entre Sarkozy e sindicatos contra reformas

Serviços de transporte público e energia param e prejudicam milhares; professores e juízes prometem aderir

Agências internacionais,

14 de novembro de 2007 | 08h07

A greve dos ferroviários, metroviários e motoristas de ônibus na França deixou o sistema de transportes públicos do país em situação caótica nesta quarta-feira, 14. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, começou a enfrentar a mais forte onda de protestos setoriais contra seus projetos de reformas da previdência social, educação superior e Judiciário.  Veja também:Entenda a disputa entre sindicatos e o governo  Trabalhadores de empresas públicas de transporte e energia, estudantes universitários, funcionários da Justiça e servidores públicos em geral cruzarão os braços em movimentos independentes - e impopulares.  Os ferroviários iniciaram às 20h de terça (17 horas pelo horário de Brasília) uma greve em protesto contra as reformas no sistema de aposentadorias especiais. Na manhã desta quarta, os funcionários dos serviços de metrô e ônibus devem aderir à greve, em um esforço conjunto para parar o país. Este deverá ser o primeiro estágio de uma série de paralisações previstas para os próximos dias, que vêm sendo consideradas um dos principais desafios ao programa de reforma econômica do governo de Sarkozy. A paralisação deverá afetar milhares de usuários do transporte público na França. "Milhões de franceses serão privados de sua liberdade fundamental, a liberdade de movimento, e talvez até de trabalhar", disse nesta terça-feira o primeiro-ministro da França, François Fillon, ao Parlamento. A EDF, companhia de energia elétrica, e a GDF, de gás, também devem ser afetadas pela paralisação. A greve da categoria, a segunda em um mês, é por causa do projeto de reforma da previdência social que prevê a extinção dos regimes especiais de aposentadorias. No dia 20 de novembro, será a vez de professores e funcionários públicos. Segundo a correspondente da BBC em Paris, Emma Jane Kirby, a determinação de Sarkozy de enfrentar os poderosos sindicatos de trabalhadores da França será agora realmente testada, e a reputação do presidente depende de seu sucesso. Sarkozy pretende reformar o sistema atual de aposentadoria, que permite que alguns funcionários públicos se aposentem aos 50 anos. O presidente afirma que pretende seguir com as reformas, apesar da greve. "Vou levar essas reformas até o fim. Nada vai me desviar do meu objetivo", disse Sarkozy ao Parlamento Europeu, durante uma visita a Estrasburgo. O presidente também lembrou que foi eleito com base em um programa de reformas. De acordo com Kirby, apesar de ter prometido que não vai recuar diante das greves, o presidente espera evitar que ocorram protestos de rua como os de 1995, na última vez em que o governo francês tentou implementar as reformas no sistema de aposentadorias. Reforma universitária Além disso, estudantes universitários estão fazendo greve para protestar contra outra reforma, a que prevê a autonomia financeira e administrativa das faculdades. O movimento vem ganhando força nos últimos dias. Cerca de 20 universidades, de um total de 85, estão parcialmente ou totalmente paralisadas.  Na terça, estudantes universitários bloquearam 13 de 85 universidades públicas exigindo a revisão da Lei Pecrèsse, que em agosto concedeu autonomia financeira às instituições. A cruzada contra o governo se estenderá até o dia 20, quando juízes devem parar em protesto contra o fechamento de tribunais no interior.

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