Greve na Espanha contra medidas do governo tem adesão limitada

A primeira greve geral em oito anos na Espanha, em protesto contra cortes nos gastos públicos, teve um impacto limitado nesta quarta-feira, embora tenha prejudicado os transportes e o funcionamento de algumas fábricas.

INMACULADA SANZ E TRACY RUCINSKI, REUTERS

29 de setembro de 2010 | 09h34

O primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, do Partido Socialista, apresentará na quinta-feira ao Parlamento o seu orçamento para 2011 e prometeu manter as medidas de austeridade e as reformas trabalhistas destinadas a facilitar a contratação e demissão de funcionários pelas empresas.

Os sindicatos disseram que 10 milhões de pessoas, ou mais de metade da força de trabalho, aderiram à greve. O governo não citou estimativas, mas minimizou a paralisação.

Os mercados financeiros também reagiram com indiferença, pois analistas descartam a hipótese de o governo recuar nas medidas destinadas a cumprir as metas de redução de déficit público da União Europeia.

No centro de Madri centenas de trabalhadores agitaram bandeiras, interditaram ruas e obrigaram algumas lojas a baixar as portas. Líderes sindicais disseram que 30 manifestantes foram detidos, mas a maioria foi solta rapidamente. Poucos ônibus circularam na capital e metade dos trens de metrô parou. Mas os sindicatos cumpriram o compromisso de manter um serviço mínimo, segundo o ministro do Trabalho, Celestino Corbacho.

No norte da Espanha, montadoras de veículos interromperam a produção. A demanda energética no país caiu 20 por cento durante o protesto, segundo a empresa operadora do sistema.

"Vamos continuar a greve se isso for necessário para derrubar a reforma trabalhista, que ameaça tornar os empregos ainda mais vulneráveis", disse o designer gráfico Alfredo Pérez em um piquete.

Pela proposta de Zapatero, a idade mínima de aposentadoria subiria de 65 para 67 anos. A greve coincide com protestos sindicais em Bruxelas, Atenas e outras cidades europeias contra as medidas de austeridade adotadas por governos em todo o continente.

Escolas e hospitais praticamente não foram afetados pela greve na Espanha. Citando a preocupação com o desemprego, que ronda os 20 por cento, muitos espanhóis fizeram questão de ir trabalhar apesar das dificuldades no transporte público.

"O país está uma bagunça, e as finanças pessoais de todo mundo também, então acho que uma greve simplesmente piora as coisas e não é a melhor forma de avançar", disse a vendedora Arancha Fernández de Córdoba, de 35 anos.

A economia espanhola se recupera lentamente de uma grave recessão e os sindicatos estão muito mais enfraquecidos do que há 20 anos, representando apenas cerca de 16 por cento dos trabalhadores.

"A greve é uma grande encenação, é só uma forma de os sindicalistas justificarem seus salários (...). Os sindicatos nunca defenderam os diretos dos trabalhadores antes, então não estou de acordo com a greve agora", disse a esteticista Teresa, 38 anos, arrancando cartazes colados pelos grevistas na porta do seu salão.

(Reportagem adicional de Tomas Gonzalez, Nigel Davies, Paul Hanna e Elisabeth O'Leary)

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