Greve na França aumenta com paralisação de servidores

Setor do transporte confirma continuidade dos protestos; funcionários públicos param por melhores salários

Efe,

19 de novembro de 2007 | 18h19

A greve no transporte público na França continuará na terça-feira, 20, quando haverá uma paralisação de 24 horas dos funcionários públicos - que neste caso pararão para reivindicar salários melhores. As assembléias na companhia de ferrovias SNCF e na do metrô de Paris RATP decidiram nesta segunda continuar com a greve de protesto contra a reforma dos regimes especiais de previdência, que beneficia seus trabalhadores. As declarações dos dirigentes sindicais e do governo sobre a disposição mútua em participar de negociações nas empresas, previstas para a partir da quarta-feira, não tiveram efeito para deter as novas convocações. Mas a porcentagem de grevistas continuou minguando, pelo sexto dia consecutivo. A SNCF calcula agora a adesão em 26,2% dos trabalhadores, contra 32,2% de sexta-feira, e mais de 60% na quarta-feira passada, primeiro dia da greve. A RATP calculou em 18%, menos que os 23,3% da sexta e os 44% da quarta-feira. As previsões da RATP para terça adiantam que a situação voltaria a ser "muito fortemente perturbada" com somente 20%-25% dos metrôs, o que permite prever outra vez dezenas de quilômetros de engarrafamentos pelas centenas de milhares de pessoas que optarão por sair de carro. A greve tem causado sérios problemas a milhões de franceses e pesando na economia. A paralisação está custando à França entre 300 milhões e 400 milhões de euros por dia, segundo o governo. Conscientes da falta de apoio da opinião pública, quatro centrais sindicais pediram que as negociações sejam antecipadas para antes de quarta-feira. O conselheiro social do Palácio do Eliseu, Raymond Soubie considerou que "os elementos positivos se multiplicam" para acabar com a greve, o que para ele permite prever um retorno à normalidade nos transportes "até meados da semana". De fato, tanto os sindicatos quanto o governo fizeram gestos de aproximação: as centrais que continuam mantendo o indicativo de greve por tempo indeterminado aceitaram negociar, e o Executivo já não põe a volta total ao trabalho como condição prévia. O primeiro-ministro, François Fillon, fez nesta terça um novo pedido pelo fim da greve, ressaltando além disso que a adesão tem sido "extremamente minoritária" e contra a opinião pública. "O transporte tem que ser retomado progressivamente e os direitos dos usuários devem ser respeitados", disse Fillon em pronunciamento. O chefe do governo reiterou que não recuará nos "princípios" da reforma dos regimes especiais de aposentadoria. Ele justificou que "há um mandato para fazer avançar esta reforma e para ir a uma harmonização" dos regimes especiais com os dos funcionários públicos e os trabalhadores do setor privado. Em todo caso, ao caos dos transportes será acrescentada amanhã a paralisação de 24 horas convocada por todos os sindicatos dos 5,2 milhões de servidores públicos. As centrais exigem maiores reajustes salariais porque denunciam uma perda de 6% no poder aquisitivo desde 2000. Além disso, querem protestar contra o corte de 22.921 postos de trabalho no setor público em 2008, metade na Educação. Já o governo alega que a categoria tem tido aumento real de 3,5% anual (em termos absolutos) há seis anos. É justamente no setor da educação que a paralisação deve ter mais adesão - 65%, segundo o principal sindicato -, mas suas repercussões serão notadas também no correio e no controle de tráfego aéreo. Como se fosse pouco, outro protesto na distribuição deixará as bancas sem jornais.

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