Grupo italiano pede a promotores que questionem cardeal dos EUA sobre abusos

Um grupo de consumidores italianos pediu nesta segunda-feira a promotores de Roma que interroguem o cardeal norte-americano Roger Mahony sobre um escândalo de encobrimento de abuso sexual nos EUA, enquanto ele estiver na cidade para participar do conclave que vai eleger o sucessor do papa Bento 16.

Reuters

04 de março de 2013 | 14h15

O grupo Codacons afirmou que pediu aos promotores de Roma há vários dias para investigar abusos sexuais que Mahony é acusado de acobertar na década de 1980, e para tentar estabelecer se menores ou cidadãos italianos estão entre as vítimas.

"Considerando que o cardeal está presente na capital, acreditamos que os magistrados devem chamá-lo antes do início do conclave, ou em qualquer caso, antes que ele retorne para os Estados Unidos, a fim de obter informações úteis", disse o grupo em comunicado.

Como arcebispo de Los Angeles em 1985, Mahony trabalhou para enviar sacerdotes conhecidos como abusadores para fora do Estado para protegê-los das acusações, de acordo com arquivos da igreja revelados segundo uma ordem judicial dos EUA em janeiro.

Seu sucessor, o arcebispo Jose Gomez, retirou-o de todas as funções públicas e administrativas, mas Mahony deixou claro sua intenção de estar entre os 117 cardeais autorizados a entrar na Capela Sistina do Vaticano para escolher o novo líder dos 1,2 bilhão de católicos do mundo.

Ativistas católicos norte-americanos e italianos em fevereiro pediram a Mahony para excluir-se do conclave, dizendo que ele iria manchar o novo pontífice com o mesmo escândalo que perseguiu Bento.

Um grupo italiano de vítimas de abuso separadamente está pedindo ao Vaticano para excluir o cardeal Domenico Calcagno do conclave, dizendo que o ex-bispo de Savona não denunciou um padre de sua diocese às autoridades civis.

(Reportagem de Catherine Hornby)

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