Grupo rebelde curdo vê envolvimento nacionalista em mortes em Paris

Rebeldes curdos sugeriram nesta sexta-feira que nacionalistas turcos clandestinos podem ter assassinado três ativistas curdas em Paris, mas o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que as mortes parecem o resultado de uma rixa interna.

AYLA JEAN YACKLEY, Reuters

11 de janeiro de 2013 | 15h57

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) disse que os assassinatos, realizados ao estilo de execução em um instituto no centro de Paris, tinham sido premeditados e planejados e advertiu que a França seria responsabilizada se não conseguisse desvendar as mortes.

Sakine Cansiz, integrante fundadora do PKK, e duas ativistas foram encontradas com tiros na cabeça na manhã de quinta-feira, em um ataque que chocou a comunidade curda e ofuscou as medidas de paz entre a Turquia e os rebeldes.

A Turquia colocou em alerta suas missões na Europa --que abriga uma grande diáspora curda-- e pediu que as autoridades francesas aumentassem a segurança ao redor de seus interesses ali, depois que o Partido da Democracia e Paz (BDP), pró-curdos, pediu protestos.

Cerca de 200 curdos suecos, gritando "Longa Vida ao PKK" e "Turquia, Terroristas", fizeram uma manifestação sob temperatura glacial em frente à embaixada francesa em Estocolmo. Uma manifestação também foi planejada em Berlim, lar de uma grande população curda e turca.

"O ataque a três de nossas camaradas em uma época como esta é um ataque premeditado, planejado e organizado", dizia um comunicado colocado no site da ala armada do PKK.

"A França tem a responsabilidade de elucidar esses assassinatos imediatamente. De outra forma, serão responsabilizados pelo massacre de nossas camaradas".

O comunicado culpava as "forças Gladio turcas e internacionais" pelos assassinatos, uma referência às operações anticomunistas Gladio da Otan na Guerra Fria, agora usada na Turquia como abreviatura para a violência nacionalista patrocinada pelo Estado.

Grupos nacionalistas turcos obscuros podem ter matado centenas de ativistas no sudeste de maioria curda nas últimas três décadas.

A mídia turca também sugeriu o possível envolvimento da Síria ou do Irã, países com minorias curdas e em divergência com Ancara por questões que incluem o conflito na Síria.

Erdogan disse que, embora fosse necessário que as investigações terminassem antes de uma conclusão definitiva, até agora as provas apontavam para uma rixa interna, já que o prédio estava protegido por uma tranca codificada que só podia ser aberta por dentro.

"Aquelas três pessoas a abriram. Sem dúvida que não a abririam para pessoas que não conhecessem", disse Erdogan a jornalistas em seu avião na volta do Senegal na sexta-feira, segundo a agência de notícias estatal Anatolian.

Ele disse que as mortes também poderiam ter a pretensão de sabotar os esforços de paz com o PKK.

(Reportagem adicional de Jonathon Burch em Ancara, Daren Butler em Istambul, Alistair Scrutton em Estocolmo e Alexandra Hudson em Berlim)

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