Há cem dias no governo, Sarkozy enfrenta incertezas

Próximo de realizar importante reformas, presidente francês vive o fim de uma prolongada lua-de-mel política

Angela Charlaton, da Associated Press

23 de agosto de 2007 | 21h20

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, retornou de suas férias de verão com um belo bronzeado, mas parece ter perdido parte de seu brilho. Foto retocada 'emagrece' Sarkozy    A esperança que ele inspirou com promessas de mudar a maneira como a França trabalha transformou-se em preocupação em meio às turbulências nos mercados globais e a diminuição nas expectativas de crescimento - o que causou pequenos deslizes em suas astronômicas taxas de aprovação.   Apesar dos reveses, Sarkozy parece não se deixar desanimar diante dos obstáculos.   Há exatos cem dias na Presidência, Sarkozy almoçou nesta quinta-feira, 23, com o líder trabalhista François Chereque numa tentativa de amainar as relações do governo com os sindicatos, que prometem sair às ruas para protestar contra os planos do presidente em reformar as pensões estatais e os contratos de trabalho franceses.   Embora recente, a presidência de Sarkozy já levou a uma série de mudanças. O governo pressionou por cortes nos impostos e aprovação de leis que encorajem os franceses a trabalhar mais horas, além de legislações mais duras para criminosos reincidentes.   Isso apenas no cenário interno. No exterior, Sarkozy melhorou as relações com os Estados Unidos, trabalhou para a libertação de enfermeiros búlgaros condenados à morte na Líbia e reviveu os esforços para a criação de uma Constituição européia.   Dificuldades   Porém, agora vem a parte mais difícil: pressionar pelas reformas mais dolorosas em um momento em que Sarkozy parece estar na linha final de uma extraordinária lua-de-mel política.   "Um homem na política e no centro do poder não pode permanecer para sempre no topo das taxas de popularidade", disse o cientista político Vincent Tiberj, do Centro para Pesquisa Políticas de Paris. Segundo ele, a aprovação de Sarkozy continuará a cair.   Na sexta-feira, 24, o presidente irá apresentar seus planos para uma próxima fase de reformas econômicas, o que inclui propor contratos de trabalho mais flexíveis e a diminuição do poder dos sindicatos.   O líder trabalhista Chereque previu uma setembro "muito intenso".   Em vários sentidos, Sarkozy já foi obrigado a abrir mão de algumas de suas propostas. A reforma universitária proposta por ele passou longe da larga autonomia que ele gostaria de dar para as instituições educacionais, a lei de greves foi abrandada e as reduções previstas para os gastos com os serviços públicos abandonadas.   Mercados   Enquanto isso, as reviravoltas nos mercados financeiros revigoraram o medo dos franceses frente à globalização, colocando o entusiasmo com as reformas pró-mercado propostas por Sarkozy na berlinda.   Além disso, o crescimento econômico francês diminui para apenas 0,3% no segundo quadrimestre do ano.   Apesar dos reveses, as taxas de aprovação de Sarkozy permanecem relativamente altas - 61% de acordo com a última pesquisa Ipsos -, mas elas vêm caindo nas últimas semanas.   Por fim, um novo livro sobre o presidente que deve ser lançado esta semana por um importante autor não deve ajudar a imagem de Sarkozy.   O texto Amanhecer, tarde e noite, assinado pela escritora Yasmina Reza é um estudo de personagem feito a partir de fontes muito próximas de Sarkozy. Embora não acrescente muito sobre esses primeiro meses de governo, o livro pinta o retrato de um menino que não gosta de ficar sozinho - algo muito distante da imagem forte e poderosa cultivada pelo presidente.

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