Hillary apoia reconciliação com taleban que deixar terrorismo

Na conferência sobre o Afeganistão, secretária de Estado diz que é preciso reintegrar os que abandonam armas

Agências internacionais,

31 de março de 2009 | 08h22

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, apoiou nesta terça-feira, 31, as tentativas de reconciliação do governo afegão com membros do Taleban que abandonarem a violência. A declaração foi feita na da conferência sobre o Afeganistão, que acontece em Haia, na Holanda, com a participação de mais de 90 países e organizações.

 

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"Devemos apoiar os esforços do governo do Afeganistão em separar os extremistas da Al-Qaeda dos taleban que se uniram ao grupo não por convicção, mas por sinal de desespero", afirmou a chefe da chancelaria do governo de Barack Obama. "Deve-se oferecer uma forma honrada de reconciliação e reintegração em uma sociedade pacífica, se eles desejam abandonar a violência, romper com a Al-Qaeda e apoiar a Constituição".

 

Em um criticismo velado aos líderes afegãos, Hillary afirmou ainda que o país precisa de um governo que seja "legitimado e respeitado" e que não haja corrupção. "Corrupção é um câncer - e perigoso para o nosso sucesso a longo prazo com o Taleban e a Al-Qaeda. Um governo não pode mostrar para seu povo que o terrorismo é a melhor forma de recrutamento". Ela pediu ainda por eleições "abertas, livres e justas" para o país e anunciou um fundo de US$ 40 milhões para ajudar a ONU a preparar o pleito, pedindo para que os demais países da conferência façam o mesmo.

 

Ajuda regional

 

Um dos objetivos da conferência é conseguir contribuições para financiar o aumento de soldados do Exército e da polícia do Afeganistão, que, segundo afirmou presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, "precisam de fundos para se manter". Em seu discurso, Karzai,afirmou ainda que a cooperação dos países vizinhos é imprescindível para conseguir a vitória sobre o terrorismo taleban. "Sem a cooperação dos vizinhos do Afeganistão não se pode conseguir a vitória contra o terrorismo", afirmou Karzai em seu discurso. Segundo o presidente, o Afeganistão se encontra em "uma encruzilhada crítica", já que, apesar dos progressos registrados em temas como educação, desenvolvimento e retorno de refugiados, precisa que a comunidade internacional mantenha seu apoio para poder continuar seu caminho rumo à estabilidade.

 

Na abertura da conferência sobre o Afeganistão, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que, se a comunidade internacional parasse de apoiar o Afeganistão, seria "trair" as conquistas alcançadas após grandes esforços e progressos alcançados até o momento".

 

Diante de representantes que se reúnem em Haia, o secretário-geral da ONU disse que a nova estratégia anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ofereceu uma "mudança qualitativa", porque não se centra somente na vertente militar, mas também em "fortalecer" as instituições afegãs. Ban destacou também a importância de que as eleições presidenciais de agosto no Afeganistão aconteçam com "transparência e credibilidade". Ban também ressaltou a necessidade de unir esforços na luta contra o terrorismo e as drogas no Afeganistão, cujo futuro centra a conferência internacional e que pela primeira vez conta com a participação do Irã.

 

A secretária de Estado espera que o Irã amplie a fiscalização de sua fronteira com o Afeganistão e ajude no combate ao tráfico de drogas. "Só o fato de eles terem aceitado o convite para participar do debate significa que os iranianos acreditam que têm um papel importante a ser desempenhado", disse Hillary na segunda-feira.

 

Irã e Paquistão

 

O ministro de Relações Exteriores paquistanês, Shah Mahmood Qureshi, afirmou que os esforços internacionais para estabilizar o Afeganistão deve ser baseados na "não-interferência" e no respeito da soberania do país. O chanceler ressaltou que Islamabad mantém seu compromisso em lutar contra o terrorismo que ultrapassa as fronteiras afegãs para as províncias paquistanesas.

 

O Irã, que enviou seu vice-chanceler Mohammad Mehdi Akhoundzadeh à conferência de um dia, reafirmou sua rejeição à presença militar estrangeira no Afeganistão, mas prometeu colaboração no combate ao tráfico de ópio do país. "A presença de forças estrangeiras não melhorou as coisas no país, e parece que um aumento no número de forças estrangeiras (como promete Obama) se mostrará ineficaz também", disse Akhoundzadeh. "O Irã está plenamente preparado para participar de projetos destinados a combater o tráfico de drogas e de planos compatíveis com o desenvolvimento e reconstrução do Afeganistão", afirmou ele, segundo transcrição divulgada a jornalistas. Hillary e Akhoundzadeh não devem manter conversas substanciais em Haia, mas tampouco se espera que evitem o contato.

 

Contrariando a política do seu antecessor George W. Bush, Obama e sua equipe têm buscado uma aproximação com o Irã, apesar dos vários anos de impasse em torno do programa nuclear da República Islâmica. Richard Holbrooke, representante especial de Obama para o Afeganistão e Paquistão, disse que a presença do Irã na conferência é uma parte lógica dos esforços para levar a paz aos afegãos. "Como se pode falar do Afeganistão e excluir um dos países que é um Estado fronteiriço, vizinho?", disse ele a jornalistas em Haia. "A presença do Irã aqui é óbvia."

 

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