Historiador alemão publica livro com cartas a Hitler

Obra se baseia em milhares de correspondências de cidadãos enviadas entre 1925 e 1945

Efe,

08 de outubro de 2007 | 12h11

Coincidindo com a inauguração, na terça-feira, 9, da Feira do Livro de Frankfurt, o historiador alemão Henrik Eberle publica o livro Letters to Hitler - A Nation Writes to its Führer, no qual analisa as cartas que o dirigente nazista recebia dos cidadãos. A obra se baseia em milhares de cartas que Adolph Hitler recebeu entre 1925 e 1945 e que, após a queda do nacional-socialismo e o fim da Segunda Guerra Mundial, foram confiscadas pelo Exército Vermelho e depositadas no Arquivo Estatal Militar de Moscou, na Rússia. Nesses 20 anos foram acumuladas dezenas de milhares de cartas dirigidas a Hitler com felicitações e pedidos, propostas e iniciativas, mas também com queixas, assinadas por professores, estudantes, padres, desempregados, industriais, oficiais e filiados ao Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP). O jornal alemão Bild publicou na edição desta segunda, com exclusividade, alguns trechos do livro. As cartas, a maioria não respondida, continham juramentos de "fidelidade inquebrantável ao Führer Aldoph Hiler", como a de Walter Zickler, datada de 1925, e mostras de apoio aos princípios do nazismo. Algumas delas continham anúncios sobre o envio de presentes, doações ou heranças de admiradores e seguidores.  O número de cartas que o Führer recebeu é um reflexo de sua popularidade. Somente nos três primeiros meses de 1933, quando chegou ao poder, ele recebeu 3 mil mensagens. A partir desse ano e até meados da década de 40, Hitler recebia mais de 10 mil cartas ao ano, com todo tipo de conteúdo.  No entanto, em 20 de abril de 1945, data do seu aniversário e dias antes da tomada de Berlim pelo Exército Vermelho, menos de cem pessoas enviaram felicitações ao Führer, segundo a análise do material arquivado. Eberle também mostra em seu livro - Cartas a Hitler - Uma nação escreve a seu Führer, tradução livre - que o ditador, salvo poucas exceções, não lia as mensagens que recebia do povo.  Esta tarefa cabia a princípio a seu secretário pessoal e braço direito, Rudolf Hess.

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