Holanda anuncia prisão de gangue que traficava crianças

Nigerianos transformavam-se em escravas sexuais na Europa; investigação detém 19 pessoas em seis países

BBC Brasil,

25 de outubro de 2007 | 15h19

A polícia holandesa anunciou ter desmantelado uma gangue criminosa que traficava crianças nigerianas para utilizá-las como escravas sexuais na Europa e nos Estados Unidos.  Pelo menos 19 pessoas foram presas como parte de uma investigação internacional na Holanda e nas cidades de Nova York (Estados Unidos), Madri (Espanha), Antuérpia (Bélgica), Dublin (Irlanda) e Coventry (Reino Unido). De acordo com autoridades holandesas, os traficantes transportavam as crianças, na maioria meninas, da Nigéria para outras partes do mundo via centros de refugiados na Holanda. "As menores eram forçadas a prometer para um sacerdote na Nigéria (que iriam) pagar uma chamada dívida", disse o promotor Warner ten Kate, que investiga o caso. A "dívida" era paga com o dinheiro ganho com prostituição. Magia Negra Durante uma batida, a polícia holandesa encontrou dez imigrantes ilegais nas casas dos suspeitos. A promotoria diz acreditar que o esquema funcionava há vários anos. "Esta gangue estava usando magia negra", afirmou o promotor a uma emissora de televisão holandesa. "Isso quer dizer que as meninas eram obrigadas a entrar em um avião, ir para a Holanda e virar prostitutas. Se não cooperassem, a gangue ameaçava usar magia negra." "Um sacerdote na Nigéria colocaria uma maldição que traria má sorte para a menina e sua família", acrescentou Ten Kate. A polícia começou a investigar o desaparecimento de jovens refugiados na Holanda em janeiro de 2006. Segundo o promotor, 140 menores nigerianos desapareceram após o início da investigação. Várias das crianças foram mais tarde descobertas trabalhando como prostitutas na França, na Itália e na Espanha, de acordo com a polícia holandesa.A polícia afirma que a operação também chegou à Alemanha e à França, mas não há informações de prisões nesses países. Os presos são suspeitos de tráfico humano, envolvimento em organização criminosa, falsificação de documentos, fraude e lavagem de dinheiro. As autoridades holandesas pediram que os suspeitos presos no exterior sejam extraditados para a Holanda.

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