Ilegalidade de governistas turcos pode ser decidida nesta quarta

Agência estatal diz que Corte Constitucional deve anunciar decisão sobre processo contra partido islâmico

Associated Press e Reuters,

30 de julho de 2008 | 11h57

A Corte Constitucional da Turquia deve anunciar nesta quarta-feira, 30, o veredicto sobre a ação que busca colocar na ilegalidade o atual partido governista turco Justiça e Desenvolvimento (AKP), segundo afirmou a agência de notícias estatal Anatólia.   Veja também: Polícia prende nove por relação a atentado em Istambul   Representantes do formação laica da Turquia acusam o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, pelas iniciais em turco) de tentar implantar um regime islamita. A proibição do AKP poderá afundar a Turquia em uma crise política e forçar a convocação de eleições antecipadas.   A mídia turca especula que a decisão poderia ser anunciada nas próximas horas. Analistas acreditam que a decisão sairá somente em agosto. Uma eventual proibição às atividades do AKP pode ter amplas repercussões para a Turquia, um país de maioria muçulmana cujo regime secular aspira a ingressar na União Européia (UE).   Os integrantes do AKP provavelmente se reagrupariam em uma nova agremiação, mas uma eventual dissolução do partido pelo judiciário prejudicaria a imagem da Turquia como democracia pelo fato de a agremiação ter conquistado grande maioria nas últimas eleições.   Esta foi a primeira vez que se abre um processo contra um partido governista na Turquia. A Corte Constitucional chegou a proibir outros dois partidos islâmicos, o da Prosperidade, em 1998, e o da Virtude, em 2001, em razão das mesmas acusações que pesam sobre o AKP. Desde 2002, o partido detém o poder no Parlamento e, desde o ano passado, também ocupa a presidência. São membros do partido os dois políticos mais populares do país: o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente, Abdullah Gul.   Ao autorizarem o uso de véu nas universidades turcas, em fevereiro, o governo do AKP contrariou setores laicos da sociedade turca, principalmente os magistrados e os militares. A decisão foi anulada em junho.   A questão é sensível porque a Turquia é majoritariamente muçulmana, mas organizada sob o secularismo do general Mustafá Kemal Ataturk, considerado fundador da nação. Por isso, a crise turca é resultado de uma luta pelo poder entre secularistas e islâmicos. A Procuradoria-Geral turca pediu o banimento do AKP e a inelegibilidade de vários políticos ligados ao partido pelos próximos cinco anos - entre eles Erdogan e Gul -, o que poderia levar à realização de eleições antecipadas.

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