Imigração aumenta na Grã-Bretanha enquanto Cameron enfrenta teste nas urnas

O número de cidadãos da União Europeia que emigraram para a Grã-Bretanha subiu 27 por cento em 2013, uma estatística incômoda para o primeiro-ministro David Cameron, no dia em que britânicos votam nas eleições europeias, que um partido anti-imigração parece prestes a vencer.

KYLIE MACLELLAN, Reuters

22 Maio 2014 | 12h21

A imigração juntou-se à economia como uma das principais preocupações dos eleitores, impulsionando o Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), que defende a saída da Grã-Bretanha da União Europeia.

O partido deve vencer a votação das eleições europeias na Grã-Bretanha, à frente do Partido Trabalhista, da oposição, e dos conservadores de Cameron, quando os resultados do país forem anunciados no domingo, como parte de uma maratona de consultas que ocorre em 28 países da UE.

O Escritório Nacional de Estatísticas (ONS, na sigla em inglês) informou nesta quinta-feira que a entrada de imigrantes de longo prazo na Grã-Bretanha subiu para 212.000 no ano passado contra 177.000 em 2012. Mais de meio milhão chegou para morar no Reino Unido, enquanto 314.000 deixaram o país.

Cameron quer reduzir a imigração, mas não pode controlar os que chegam da Europa porque os cidadãos da UE têm o direito de viver e trabalhar em qualquer país do bloco - um fato que o Ukip usa como argumento fundamental para defender a saída da Grã-Bretanha da UE.

Os partidos da oposição estão usando os resultados da pesquisa e os trabalhistas afirmam que a promessa de imigração do governo está "em frangalhos".

O líder do Ukip, Nigel Farage, disse: "Nós simplesmente não podemos continuar assim, se quisermos começar a tarefa de restaurar os padrões de vida e a coesão da comunidade para milhões de famílias britânicas que trabalham duro. Já basta."

As pesquisas sugerem que muitas pessoas estão preocupadas com imigrantes tomando os empregos dos trabalhadores britânicos e usando os recursos dos serviços públicos como habitação, saúde e educação, embora os dados sugiram que imigrantes provavelmente reivindicam menos benefícios sociais do que os cidadãos do país.

O governo criou novas regras no início deste ano para limitar o acesso dos imigrantes da UE aos benefícios sociais.

O ministro da Imigração e Segurança James Brokenshire disse: "Estamos nos concentrando em cortar o abuso da liberdade de circulação entre os Estados membros da UE e em abordar os fatores que impulsionam a imigração europeia para a Grã-Bretanha."

Enquanto o número de chegadas de cidadãos de fora da UE caiu ligeiramente, o ONS disse que 201.000 cidadãos da UE passaram a viver na Grã-Bretanha em 2013, contra 158.000 no ano anterior. Dos 201.000, um total de 125 mil chegaram para trabalhar.

O número de cidadão da Bulgária e Romênia - os mais novos membros da UE, que aderiram em 2007 - subiu de 9.000 em 2012 para 23.000 no ano passado, mostraram os dados. Desde o início deste ano, os cidadãos desses países têm direito a ocupar postos de trabalho na Grã-Bretanha ou de outros Estados-Membros.

O aumento da popularidade do Ukip ampliou a pressão sobre os conservadores de Cameron para serem mais rigorosos com a imigração. Ele se comprometeu a reduzir a imigração para abaixo de 100 mil por ano, mas sua promessa até agora tem sido prejudicada por índices consistentemente indo na direção oposta.

Em entrevista à Sky News no domingo, Cameron se recusou a comentar se o governo manteria seu compromisso, dizendo apenas estar trabalhando nessa direção. Se vencer uma eleição geral no próximo ano, ele promete um referendo até o final de 2017 para os eleitores decidirem se querem permanecer na UE.

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