Alessandro Fucarini/AP
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Imigrantes e moradores de Lampedusa, na Itália, entram em confronto

Ministério do Interior prometeu transferir imigrantes dentro das próximas 48 horas e repatriá-los

REUTERS

21 Setembro 2011 | 16h18

PALERMO, ITÁLIA - Autoridades italianas prometeram nesta quarta-feira, 21, livrar uma pequena ilha do sul do país de centenas de imigrantes do norte africano que entraram em conflito com moradores e a polícia pelo segundo dia consecutivo.

 

A ilha de Lampedusa, situada a meio caminho entre a Sicília e o continente africano, tem sido o ponto de entrada na Europa quase diariamente de centenas de barcos pequenos, frequentemente superlotados, vindos da Tunísia e da Líbia. A confusão começou na terça-feira, quando alguns imigrantes puseram fogo no local em que ficam hospedados na ilha, em protesto contra planos de repatriação forçada. Confrontos entre alguns moradores e imigrantes explodiram novamente nesta quarta-feira.

 

A subsecretária do Ministério do Interior, Sonia Viale, condenou a violência e disse que a pasta dará continuidade aos planos de repatriação, depois que autoridades locais se queixaram duramente da inércia do governo central. "Dentro das próximas 48 horas todos os imigrantes ilegais presentes em Lampedusa serão transferidos da ilha e repatriados depois", afirmou ela em um comunicado.

 

'Situação trágica'

 

Em épocas normais, Lampedusa é um lugar sossegado, com economia baseada na pesca e turismo, mas se transformou com a crise dos imigrantes, que a colocou sob crescente estresse. Algumas vezes a população da ilha, de 5 mil habitantes, chega a ser suplantada pelo número de imigrantes, na maioria homens jovens em busca de trabalho na Europa.

"A situação é trágica. Estamos cansados de ser explorados pelo governo", disse o prefeito Bernardo De Rubeis à TV SkyTG24, acrescentando que passaram pela ilha mais de 55 mil imigrantes desde o início do ano. "Estamos tendo de enfrentar 1,5 mil delinquentes que queimaram o centro de recepção e puseram em risco a vida de nossos cidadãos e da polícia", disse ele.

"Estamos pedindo a (o ministro do Interior, Roberto) Maroni que esvazie a ilha imediatamente, e não vamos aceitar nem sequer um imigrante a mais", enfatizou. A Itália quer restabelecer os acordos de imigração existentes antes dos levantes da primavera árabe e também vem encorajando esquemas de repatriação voluntária, pelos quais os estrangeiros recebem ajuda para retornar para casa.

Os imigrantes que chegam a Lampedusa ficam em centros de recepção antes de serem transferidos para o continente, onde muitos tentam seguir para outros países europeus, especialmente a França. Alguns são forçados a voltar para seus países.

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