Imigrantes fazem plástica para evitar preconceito na Espanha

Sul-americanos recorrem à cirurgia para ficar mais parecidos com europeus; onda de xenofobia preocupa

Ansa,

04 de agosto de 2008 | 15h55

Centenas de imigrantes na Espanha, muitos deles sul-americanos, têm recorrido à cirurgia plástica para ficar mais parecidos com os europeus. O jornal espanhol El País, que publicou uma reportagem sobre o fenômeno, cita o exemplo de Orly Cuzco, um equatoriano de 28 anos que pagou 4,2 mil euros a um cirurgião de Madri para que modificasse seu rosto. "Eram muito fortes em mim os traços do povo inca. Agora chamo menos a atenção", explicou Cuzco ao jornal.   Veja também: Espanha não é mais terra prometida para imigrantes, diz ministro Exército inicia polêmica patrulha de ruas na Itália   Nos últimos tempos, diversos episódios de violência contra imigrantes equatorianos foram noticiados na imprensa espanhola. Na última sexta-feira, ganhou as manchetes das principais publicações do país, a notícia do espancamento de uma jovem equatoriana de 14 anos, que foi agredida a socos e pontapés no rosto e em todo o corpo, enquanto os agressores, jovens espanhóis da mesma idade da garota, gritavam pedindo que a matassem.   Segundo a Ruminahui, associação dos imigrantes equatorianos na Espanha, "estas agressões de cunho racista se tornaram cotidianas na Espanha, mas são ignoradas. Muitas vítimas têm medo de denunciar."   Meses atrás, a agressão de uma outra garota equatoriana no metrô de Barcelona foi filmada e difundida via internet. Nos dois casos, ninguém interveio em socorro da vítima. Esses episódios ajudam a entender porque o recurso à cirurgia plástica para "ocidentalizar as feições" é um fenômeno em contínuo crescimento entre os imigrantes sul-americanos, segundo informa o El País.   "Muitos clientes chegam com a desculpa de querer reparar um defeito, mas o que querem na realidade é corrigir narizes largos e atenuar os traços que identificam a sua nacionalidade", explica o cirurgião Diego Tomas, ressaltando que "verifica-se um importante aumento do número desse tipo de paciente nos últimos anos."   O presidente da Sociedade Espanhola de Cirurgia Plástica (Secpre), Antonio Porcuna, confirma o aumento dos pacientes que "querem um nariz mais europeu". E o fenômeno pode ser até maior, pois muitos imigrantes sul-americanos aproveitam as férias em seus países para fazerem cirurgias plásticas a preços mais acessíveis, que variam de 570 a 900 euros, de acordo com o El País.   As correções mais procuradas são o retoque no nariz, o arredondamento do queixo e dos olhos. O fenômeno, explica o jornal, já é bastante difundido na Austrália e nos Estados Unidos, onde muitos cirurgiões se especializaram na "ocidentalização" dos olhos dos imigrantes chineses e japoneses.

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