Impasse marca última tentativa de Grécia formar um governo

O presidente da Grécia se reuniu neste domingo com líderes de partidos em uma última tentativa de formar uma coalizão e evitar a repetição das eleições, mas as negociações imediatamente chegaram a um impasse e não devem dar resultados, devido às grandes diferenças sobre o plano de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao país.

REUTERS

13 Maio 2012 | 11h41

Líderes dos três maiores partidos da Grécia, que falharam ao tentar formar um governo na semana passada, reuniram-se na mansão presidencial, onde o presidente Karolos Papoulias tinha uma última oportunidade de implorá-los a formar uma coalizão antes de precisar convocar novas eleições, provavelmente para o meio de junho.

O encontro ruiu depois de menos de duas horas de negociações, e os líderes disseram que as discussões deram um nó, embora tenham expressado esperança de que as dificuldades serão superadas.

"Até mesmo agora, apesar do impasse no encontro que tivemos com o presidente, eu tenho algum limitado otimismo de que um governo possa ser formado", afirmou o líder socialista Evangelos Venizelos, cujo partido PASOK finalizou em terceiro na eleição do último domingo. Mas ele alertou de que o tempo está se esgotando.

"A hora da verdade chegou. Ou formamos um governo, ou vamos para novas eleições."

Seu colega conservador, Antonis Samaras, afirmou que as negociações para formar um governo continuam, mas culpou o partido radical de esquerda SYRIZA por bloquear os esforços na formação de uma coalizão.

Samaras ficou na primeira posição na eleição, mas longe demais de conseguir maioria. Ele foi punido pelos eleitores por apoiar um pacote de ajuda financeira atado a medidas de austeridade no país, que está grandemente endividado.

O SYRIZA, que faz campanha contra o auxílio estrangeiro, foi a surpresa da votação, ao terminar em segundo.

Ambos os partidos Nova Democracia (de Samaras) e PASOK (de Venizelos), que se revezaram no comando da Grécia por quase quatro décadas, negociaram conjuntamente o pacote de auxílio, que exige grandes cortes nos gastos públicos. As legendas não querem enfrentar uma nova votação.

As pesquisas desde a eleição mostram a balança do poder pendendo ainda mais na direção dos contrários ao pacote de auxílio, uma postura dividida entre vários pequenos partidos, mas que agora parece estar se concentrando em Alexis Tsipiras, um ex-líder estudantil comunista de 37 anos de idade.

Se a eleição se repetir, o partido SYRIZA, de Tsipiras, deve terminar na primeira posição, ganhando automaticamente mais 50 assentos de Samaras.

Se o próximo governo rejeitar o pacote, autoridades da UE dizem que será o fim dos empréstimos que Atenas precisa para evitar a moratória e a sua possível saída da zona do euro.

Pesquisas mostram que a grande maioria dos gregos rejeita o pacote, mas quer manter o euro. Cerca de 78,1 por cento dos cidadãos pedem que o próximo governo faça o possível para manter o país com a moeda, mostrou uma pesquisa da Kappa Research para o jornal To Vima.

(Reportagem de Karolina Tagaris e Lefteris Papadimas)

Mais conteúdo sobre:
GRECIALIDERESIMPASSE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.