Imprensa alemã critica recepção hostil dos gregos a Merkel

Os jornais da Alemanha atacaram os gregos "ingratos" pela recepção hostil que ofereceram à chanceler alemã, Angela Merkel, em Atenas, e alguns criticaram a generosidade dela ao prometer a permanência da Grécia na zona do euro.

STE, Reuters

10 de outubro de 2012 | 10h37

Fotos de um pequeno grupo de manifestantes gregos fantasiados de nazistas dominaram a cobertura jornalística da primeira visita de Merkel a Atenas desde o início da crise da dívida grega, há três anos.

"A Alemanha não merece isso!", bradou em sua capa o Bild, mais popular jornal alemão.

Merkel não fez nenhuma promessa adicional de ajuda ao primeiro-ministro Antonis Samaras -- pelo menos não antes do relatório de novembro da "troika", os credores externos, a respeito dos ajustes fiscais gregos.

Mesmo assim, os jornais gregos viram a visita de Merkel como sinal de apoio da Alemanha aos sacrifícios do povo grego e aos esforços reformistas do governo local.

"Com a viagem dela a Atenas ontem, Angela Merkel pôs fim a dois anos e meio de isolamento grego", escreveu o jornal de centro-esquerda Ta Nea em editorial na capa, sob o título: "Ela veio... viu... e prometeu".

O conservador Kathimerini disse que seria ingênuo esperar que uma visita resolva os problemas gregos, mas observou que a mensagem positiva da chanceler alemã "indica que estamos na última fase, logo antes da apreciada luz no fim do túnel".

O Bild, no entanto, interpretou as palavras de Merkel como um recado de que "a Grécia pode permanecer no euro não importa o que os números digam, ou quão pouco progresso eles façam, e apesar do fato de nós, alemães, sermos insultados como nazistas".

"A Grécia mostrada ontem no centro de Atenas não tem lugar no euro", escreveu Nikolaus Blome, principal analista político do jornal, que chamou os gregos de "ingratos" pela forma como trataram o crucial papel de Berlim no resgate financeiro oferecido por União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

A contrapartida dessa ajuda financeira foi a adoção de um grande ajuste fiscal, com cortes orçamentários e redução de salários e pensões, o que causa enorme insatisfação entre os gregos.

Para o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, "os gregos só verão a luz no fim do túnel que a chanceler prometeu quando entenderem que o ‘Quarto Reich' não é o culpado por seus problemas".

(Reportagem adicional de Karolina Tagaris em Atenas)

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