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Indicação de Jean Sarkozy para cargo causa polêmica na França

Filho de 23 anos do presidente francês foi indicado para administrar um dos bairros mais ricos de Paris

Daniela Fernandes, BBC

13 de outubro de 2009 | 10h39

A possível nomeação de Jean Sarkozy, 23 anos, filho do presidente francês Nicolas Sarkozy, para a direção do orgão que administra o bairro empresarial La Défense, uma das áreas mais ricas da França, está provocando inúmeras críticas no país, além de acusações de nepotismo.

Jean Sarkozy, que cursa o segundo ano de Direito, é vereador do distrito de Hauts-de-Seine - onde fica La Defénse - e foi indicado por seus colegas para assumir a presidência do Epad (Estabelecimento Público de La Défense), organismo encarregado de administrar esse bairro empresarial, considerado o maior da Europa.

La Défense, nos arredores de Paris, reúne 2,5 mil sedes sociais de companhias, 150 mil trabalhadores e 3,3 milhões de metros quadrados de escritórios. O Epad movimenta anualmente uma receita de 1 bilhão de euros (cerca de R$ 2,58 bilhões). Uma das principais atribuições do presidente do Epad é atrair investimentos franceses e internacionais para o bairro de La Défense e gerenciar o desenvolvimento da localidade.

A indicação do filho do presidente Sarkozy para o cargo provocou indignação na oposição, que acusa a França de ter se tornado "uma República das bananas", e também está sendo amplamente criticada pela população. Uma petição na internet contra a candidatura de Jean Sarkozy já reuniu mais de 43 mil assinaturas.

Os críticos afirmam que o filho de Sarkozy não tem nenhuma experiência profissional nem legitimidade para o cargo, que já foi ocupado por seu pai entre 2005 e 2006. "Depois que me lancei na política, sou sempre objeto de críticas. Qualquer coisa que faça ou diga, serei criticado", disse Jean Sarkozy ao jornal Le Parisien.

O filho do presidente iniciou sua trajetória política nas eleições cantonais do ano passado, quando foi eleito vereador. Em junho deste ano, ele se tornou presidente do partido UMP, do governo, na assembleia de Hauts-de-Seine. É justamente o fato de ser um político desse distrito, o mesmo onde o seu pai iniciou sua carreira, que permitiu a Jean Sarkozy ser indicado dirigir o Epad.

O presidente do conselho de administração do Epad é escolhido entre os vereadores da assembleia de Hauts-de-Seine. "Se Jean Sarkozy não tivesse o nome que tem, será que ele estaria no lugar que ocupa hoje?", questiona a socialista Ségolène Royal, ex-candidata à presidência.

Piadas

Jean Sarkozy também se tornou motivo de piada na internet. Milhares de internautas ironizam, em blogs e sites de relacionamento como Twitter e Facebook, sua indicação para o cargo. Em mensagens irônicas na internet, os franceses propõem que ele substitua o secretário-geral da ONU ou o treinador da seleção francesa de futebol e sugerem que ele receba o prêmio Nobel da Paz por ter feito os franceses rirem nesta época de crise.

Um internauta chegou a colocar Jean Sarkozy "à venda" no site e-Bay, afirmando esperar encontrar "um comprador que possa lhe oferecer uma primeira experiência profissional". A controvérsia no país é tão grande que o primeiro-ministro, François Fillon, assumiu a defesa de Jean Sarkozy nesta terça-feira. "Ele foi eleito entre os políticos da assembleia de Hauts-de-Seine. É uma eleição, uma competição, não é necessário criar uma polêmica", declarou Fillon.

 

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