Ingrid Betancourt é recebida como heroína na França

A franco-colombiana Ingrid Betancourt foirecebida como heroína na sexta-feira, na França, onde opresidente Nicolas Sarkozy havia feito da libertação dela umaprioridade de seu governo e milhares de pessoas tinhamrealizado campanha pela libertação da agora ex-refém. Betancourt, 46, foi resgatada na quarta-feira por militarescolombianos depois de passar mais de seis anos em acampamentosde regiões de mata como refém das Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc). A França não participou doresgate. Sarkozy e a mulher dele, Carla Bruni-Sarkozy, receberamBetancourt e seus familiares no aeroporto em que o avião delapousou, um avião enviado à Colômbia pelo governo francês. Ocasal Sarkozy abraçou a ex-refém e apertou suas mãos antes deabraçar também os parentes dela. "Ingrid Betancourt, seja bem-vinda. A França ama você",disse Sarkozy, visivelmente emocionado, em um breve discursoproferido na pista de pouso. Betancourt, com lágrimas nos olhos, deu crédito ao governofrancês por sua libertação, argumentando que se deveu em parteaos esforços feitos na França o fato de os militarescolombianos terem decidido realizar o arriscado resgate,optando, no entanto, por uma operação que não envolveu o uso daviolência. "A operação extraordinária, perfeita, imaculada do Exércitocolombiano que me permitiu estar aqui hoje é também o resultadoda luta de vocês", afirmou a ex-candidata à Presidênciacolombiana. Milhares de simpatizantes aguardaram durante horas para verBetancourt na Prefeitura de Paris, em cuja fachada, desde 2004,está dependurada uma imagem gigantesca dela. "Acho que chegou a hora de tirarmos essa coisa horrível daparede", disse Betancourt, sorrindo, pouco antes de cortar aimagem dela mesma. Na foto, tirada no cativeiro, a ex-refémaparece magra e doente. Em polvorosa, a multidão reunida aliaplaudiu e gritou seu nome diversas vezes. PAGAMENTO DE RESGATE Apesar do cansaço, Betancourt, que afirmou não ter dormidonada desde que foi libertada na quarta-feira, fez trêspronunciamentos públicos e concedeu uma entrevista coletiva euma entrevista ao vivo a um canal de TV. Ela disse por várias vezes não acreditar nos relatosdivulgados por uma rádio suíça de que as Farc haviam recebido20 milhões de dólares para libertá-la junto com outros 14reféns e de que a operação de resgate teria sido uma farsa. "Não acredito que aquilo que vi tenha sido encenado. Quandoo helicóptero partiu, os dois membros (das Farc) foramneutralizados. A nossa alegria e especialmente a alegria dosque comandaram a operação eram verdadeiras", afirmou. Betancourt morou na França quando jovem e possui duplacidadania devido a um casamento hoje anulado. Depois dosequestro, a França abraçou-a como se fosse um dos seus. Inúmeras passeatas e manifestações foram realizados em nomedela ao longo dos seis anos de cativeiro. Na sexta-feira, dezenas de simpatizantes anônimosaplaudiram e choraram na recepção a Betancourt no Palácio doEliseu, sede do governo francês, onde a ex-refém abraçou-os ebeijou-os enquanto Sarkozy sorria de orelha a orelha. Desde que tomou posse, no ano passado, o presidente buscouativamente garantir a libertação dela, pressionando pelarealização de negociações e conclamando as autoridadescolombianas a evitarem uma ação militar. O governo francês, em consequência disso, não foi informadoa respeito da missão de resgate realizada pelos militarescolombianos, ao contrário do que ocorreu com os EUA. E Sarkozysó ficou sabendo da libertação de Betancourt depois de ela tersido tirada da área de mata onde era mantida. A adversária de Sarkozy no pleito presidencial de 2007, asocialista Ségolène Royal, aproveitou-se desse fato,descrevendo os esforços dele como "inúteis". A ex-candidata, noentanto, acabou sendo duramente criticada por manchar o climafestivo do momento. "Ele (o presidente colombiano, Alvaro Uribe) nem sempre foia favor de todas as iniciativas francesas", disse o ministrodas Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, à rádioRTL. "Isso representa uma vitória para ele, sem dúvida. Mas nãosignifica uma derrota para os demais", acrescentou. (Reportagem adicional de Laure Bretton e Crispian Balmer)

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