Inspetor de armas da ONU foi morto, diz parlamentar britânico

O parlamentar britânico Norman Baker,da oposição liberal democrata, afirma em um livro lançado nasegunda-feira que a morte do ex-inspetor de armas da ONU, DavidKelly, em julho de 2003, não foi suicídio, como diz a versãooficial, e que ele foi assassinado. O episódio da morte deKelly provocou uma grave crise no governo de Tony Blair. A mulher de Kelly já afirmou publicamente acreditar que omarido tenha se suicidado. Vários críticos chamaram a afirmaçãode Baker de absurda. David Kelly foi encontrado morto numa floresta perto de suacasa, poucos dias depois de ter revelado que fora a fonte parauma reportagem da BBC, segundo a qual o governo tinha"enfeitado" deliberadamente as informações da inteligência parajustificar a invasão do Iraque. A morte de Kelly abalou o governo Blair, e houve acusaçõesde que a identidade de Kelly tinha sido revelada paradesacreditar a reportagem da BBC. O juiz lorde Hutton realizou um inquérito independentesobre a morte e decidiu em janeiro de 2004 que Kelly cortara opulso esquerdo depois de tomar analgésicos perto de sua casa,em Oxfordshire, no centro da Inglaterra. Ele concluiu que Kellyse matou devido à exposição de seu nome na imprensa. Huttoninocentou Blair e as autoridades da morte. Mas, no livro "The strange death of David Kelly" (Aestranha morte de David Kelly), Baker diz acreditar que ocientista não tenha se suicidado. "Estou convencido de que não foi suicídio. Se não foisuicídio, claramente não foram causas naturais nem acidente, eportanto tem de ter sido assassinato", disse ele à Reuters numaentrevista. Baker, que junto com seu partido sempre foi contra aguerra, disse que suas investigações revelaram uma série derazões que o fizeram questionar as conclusões "poucoconfiáveis" de Hutton. Segundo ele, é praticamente impossível se matar como Kellyfez. Além disso, havia pouco sangue no local, e não foramdetectadas impressões digitais na faca. Kelly também tinha marcado um vôo para o Iraque na semanaseguinte, sua mulher não estava boa e sua filha estava àsvésperas de se casar. Ele não deixou nenhum bilhete. ParaBaker, todos esses fatos parecem contradizer o veredicto final. Apesar das indicações de assassinato, Baker não especificaquem teria matado Kelly nem por quê. Suas principais suspeitasrecaem sobre um grupo de iraquianos leais ao ex-presidenteSaddam Hussein.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.