Anton Golubev/Reuters
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'Insultados', rivais de Vladimir Putin convocam mais protestos na Rússia

Apesar de detenções durante marcha, opositores dizem que manterão manifestações

Reuters

07 de março de 2012 | 09h56

MOSCOU - Adversários do primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disseram nesta quarta-feira, 7, que a vitória dele na eleição presidencial de domingo foi um insulto ao povo russo e convocaram novas manifestações populares contra ele.

 

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Em nota, os organizadores das manifestações disseram que continuarão nas ruas, apesar de centenas de pessoas terem sido detidas durante protestos pós-eleitorais na segunda-feira em Moscou e São Petersburgo.

Desde dezembro, quando surgiram suspeitas de fraude numa eleição parlamentar, Putin enfrenta a maior onda de protestos em seus 12 anos de hegemonia política na Rússia (como presidente entre 2000 e 2008, e como primeiro-ministro desde então).

As manifestações voltaram a ganhar força depois da eleição presidencial de domingo, mas parecem se esvaziar rapidamente por causa do desânimo dos manifestantes com sua incapacidade de alterar o sistema político dominado por Putin.

"Diante de um cenário de violações disseminadas, a Liga dos Eleitores acha impossível reconhecer os resultados das eleições presidenciais de 2012 na Rússia", disse a declaração da Liga, que reúne grupos nacionalistas, liberais, esquerdistas e independentes. "As eleições não foram justas, porque a contagem de votos e a forma como os resultados foram compilados foram marcados por fraude sistemática, que distorceu enormemente os resultados de como os eleitores expressaram sua vontade."

Monitores internacionais também apontaram distorções do processo eleitoral em favor de Putin, mas a Comissão Eleitoral Central negou que tenha havido irregularidades importantes no pleito. Estados Unidos e União Europeia pediram uma investigação sobre todas as denúncias de irregularidades eleitorais, mas também salientaram a necessidade de manter a cooperação com a Rússia.

Ao conquistar um novo mandato presidencial de seis anos, com mais de 63% dos votos, Putin poderá exercer o poder por 18 anos ininterruptos, igualando-se assim ao dirigente soviético Leonid Brejnev (1964-82).

A Liga dos Eleitores, que surgiu dos protestos pós-eleitorais de dezembro, disse que "a sociedade civil na Rússia foi insultada" pelos resultados da votação de domingo. "A presidência russa como instituição, o sistema eleitoral russo e as autoridades estatais na Rússia como um todo foram desacreditadas", afirmou o grupo.

Alguns líderes da oposição dizem que a repressão policial às manifestações na segunda-feira indicam que Putin está disposto a usar a força contra seus rivais. A polícia diz ter agido em concordância com a lei, dissolvendo manifestações não autorizadas e dispersando pessoas que se recusavam a deixar uma praça de Moscou após um comício previamente permitido.

O próximo teste para o poder de mobilização da oposição será no sábado, quando há um protesto convocado para Moscou.

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