Internautas exigem que Wikipedia retire charge de Maomé

Mais de 160 mil apóiam campanha para que a enciclopédia virtual retire a ilustração do profeta do portal

Da Redação,

15 de fevereiro de 2008 | 12h23

Mais de 160 mil internautas fazem uma exigência no site norte-americano Care 2 para que a enciclopédia virtual Wikipedia retire a charge do profeta Maomé de seu portal, segundo informou o jornal El País nesta sexta-feira, 15. O Care 2 permite que qualquer pessoa exponha uma petição e busque por apoio. O texto que iniciou esta campanha é intitulado "Retirar as imagens de Maomé da Wikipédia" e foi colocado em dezembro como mais um dos que se publicam neste portal. O site foi criado por um jovem estudante e agora já tem sete milhões de membros. Mesmo com toda mobilização, o Wikipedia anunciou que não irá retirar a imagem.   Veja também: Dinamarca sofre ataques após republicação de charges   A publicação da charge no site e em outros meios de comunicação causou uma nova onda de protestos entre muçulmanos. Copenhague e outras cidades dinamarquesas foram alvo na noite passada e na madrugada desta sexta-feira, 15, de vários ataques incendiários que a polícia atribuiu a jovens que protestavam violentamente contra a divulgação de ilustrações do profeta.   De acordo com o El País, a campanha contra a charge no Wikipedia pede respeito às religiões e argumenta que na cultura islâmica as imagens do profeta e outros seres humanos não são permitidas. As ilustrações que despertaram a polêmica apareceram na abertura da página dedicada ao profeta Maomé na citada enciclopédia digital.   Uma das imagens data o século XV e é de um manuscrito de Al Bïrünï que está guardado na Biblioteca Nacional da França. A outra é considerada o primeiro retrato do profeta e está datada do século XIII. Esta mesma imagem pode se encontrar em dezenas de sites na Internet. O Wikipedia a reproduziu de um trabalho de Widjan Ali pelos retratos de Maomé entre os séculos XIII e XVII.   Wikipedia é uma enciclopédia virtual escrita pelos internautas e, em geral, os artigos são abertos para edição de terceiros para adicionar dados ou corrigir erros. Contudo, os artigos mais delicados são bloqueados para evitar 'vandalismo editorial'. O artigo sobre Maomé, por exemplo, é um dos que estão fechados para edição dos internautas.   Na página de discussão sobre o artigo Maomé, os editores do Wikipedia advertem que as imagens do profeta não serão suprimidas, e se algum internauta tiver algum reparo moral pode configurar seu navegador para que bloqueie o acesso às ilustrações.   A própria enciclopédia, diante da recepção massiva de mensagens a favor e contra manter a imagem no portal, elaborou um questionário em que argumenta sua posição contra a censura.   Fontes não oficiais da Fundação Wikipedia nos Estados Unidos confirmaram para o El País que os editores da edição inglesa não retirarão as imagens.

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