Intimidação russa ao British Council é inaceitável, diz Londres

Detenção de funcionário britânico para interrogatório acirra tensão diplomática entre os dois países

Efe,

16 de janeiro de 2008 | 12h13

O governo britânico considerou nesta quarta-feira, 16, "completamente inaceitável" qualquer tentativa de intimidar os funcionários do British Council na Rússia, afirmou um porta-voz oficial, após a detenção de um funcionário do Reino Unido. Segundo o organismo de promoção da cultura britânica, o diretor do British Council em São Petersburgo, Stephen Kinnock, foi seguido e detido na noite de terça-feira pelas autoridades russas. As relações entre os dois países atravessam outro momento delicado depois que, em dezembro, as autoridades da Rússia pediram o fechamento das filiais regionais do British Council, que os russos acusam de violar regras fiscais do país. O Reino Unido se recusou a fechá-las a partir do dia 1, como exigiam os russos. "O bem-estar do pessoal - tanto britânico como russo - é nossa principal preocupação", afirmou um porta-voz de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown. Segundo a fonte, o governo está investigando as circunstâncias do ocorrido na terça-feira na Rússia. Já o ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, disse que o governo informará o embaixador russo em Londres, Yuri Fedotov, da preocupação do Reino Unido. "O trabalho do British Council na Rússia é completamente legal em virtude da legislação russa e internacional, e achamos que é muito importante defender a integridade de nossos funcionários", ressaltou. O British Council manifestou nesta quarta sua preocupação com a segurança de seu pessoal, depois que Stephen Kinnock (filho do ex-líder trabalhista britânico Neil Kinnock) foi seguido, detido e libertado uma hora depois pelas autoridades russas. Segundo a polícia russa, Kinnock foi detido sob acusação de violar as normas de trânsito e de dirigir embriagado. O organismo britânico informou ainda que vários de seus funcionários de nacionalidade russa foram interrogados pelos serviços secretos locais, o FSB. "Podemos confirmar que nosso pessoal de nacionalidade russa, tanto em São Petersburgo quanto em Yekaterinburgo, foi convocado na terça-feira para ser interrogado pelo FSB em suas instalações", afirmou. "Na noite de terça, eles receberam visitas de funcionários do Ministério do Interior da Rússia em suas residências e foram convocados para novos interrogatórios. Estamos profundamente preocupados com os incidentes", ressaltou o porta-voz. Nesta quarta-feira, o escritório do British Council em São Petersburgo suspendeu provisoriamente seus trabalhos, segundo a agência russa Interfax. "O British Council em São Petersburgo está temporariamente fechado devido às últimas ações contra si por parte das autoridades russas", diz um anúncio pendurado na porta do escritório do organismo. Segundo o FSB, suas ações "têm o objetivo de proteger os cidadãos russos, para que não sejam utilizados como instrumentos nas provocações dos britânicos", anunciou o escritório de imprensa do serviço secreto russo à rádio Echo de Moscou. A Rússia afirmou que o congelamento de atividades dos escritórios regionais do British Council será mantido até que o acordo bilateral correspondente seja assinado.  Crise diplomática A polêmica é o último episódio das tensas relações entre Londres e Moscou desde o assassinato em 2006 do ex-espião russo Alexander Litvinenko, que acusou o Kremlin de sua morte. As autoridades britânicas pediram a extradição do ex-agente secreto, empresário e deputado Andrei Lugovoi, principal suspeito da morte de Litvinenko, envenenado com a substância radioativa polônio 210 em Londres, em novembro de 2006. No entanto, Moscou afirma que sua Constituição proíbe a extradição de seus cidadãos. A recusa russa provocou, em meados do ano passado, uma crise bilateral que desembocou na expulsão de quatro diplomatas russos de Londres e outros tantos diplomatas britânicos de Moscou.

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