Alexey Nikolsky/AFP - 24/2/2022
Alexey Nikolsky/AFP - 24/2/2022

Invasão de Putin pode sair pela culatra

As ações de Putin levaram a críticas, ainda que leves, até mesmo de aliados, como Cuba e Venezuela

Anthony Faiola/The Washington Post, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2022 | 05h00

THE WASHINGTON POST  - Enquanto põe suas forças nucleares em alerta máximo e suas tropas se aproximam de Kiev, o presidente russo, Vladimir Putin, tem motivos para se preocupar: sua guerra contra a Ucrânia parece estar saindo pela culatra.

Caracterizado como uma ameaça imprevisível e até apocalíptica na visão de governos de todo o mundo, Putin emergiu como um símbolo perigoso de tirania. Ele fez a Otan ressurgir e o Ocidente se unir, o que possibilitou sanções a Moscou que são algumas das mais duras já impostas. Com a Alemanha descendo subitamente do muro naquilo que vem se configurando como um realinhamento histórico contra Moscou, Putin enfrenta novos desafios de segurança no quintal da Rússia, ao invés de neutralizá-los.

Em nenhum lugar a mudança de rumo foi mais completa do que na Alemanha, que abandonou a usual relutância e concordou em punir bancos russos, ceder armas para a Ucrânia e reforçar gastos em Defesa.

“Houve um despertar, não apenas da classe política, mas dos eleitores comuns”, disse Marcel Dirsus, cientista político alemão e membro do Instituto de Políticas de Segurança da Universidade de Kiel.

Valendo-se de seus laços históricos com regimes autoritários e de sua recente diplomacia de vacinas, a Rússia estreitou suas relações com a América Latina nas últimas semanas – vendo a cooperação econômica e militar na região como um alerta para Washington. 

Críticas

Mas até parceiros históricos fizeram alertas. Maduro culpou a Otan pelos problemas de Putin e criticou as sanções ocidentais. Mas pediu uma “resolução pacífica” para o conflito e “um retorno” à diplomacia para “evitar a escalada”. Até a Cuba comunista fez uma pequena crítica ao descrever que a ação russa “não respeita princípios legais e normas internacionais”.

“Você não verá a Venezuela ou a Nicarágua rompendo com a Rússia, mas acho que eles são sensíveis à violação dos princípios que tanto prezam: a soberania nacional e a não interferência”, disse Michael Shifter, presidente do Inter-American Dialogue. “Eles estão pensando nos EUA, na ideia de esse episódio dar liberdade para os americanos fazerem o que quiserem no seu próprio quintal.”

*Tradução de Renato Prelorentzou

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.