Investigação do caso Madeleine não terminou, diz procurador

Procuradoria encaminha denúncia contra casal McCann à Justiça; polícia crê em morte acidental

Efe,

11 de setembro de 2007 | 17h18

O procurador-geral de Portugal, Fernando Pinto Monteiro, assegurou nesta terça-feira, 11, que a investigação do caso Madeleine, enviada à Justiça, "não está concluída". Ele decidiu que um promotor local acompanhe diretamente o andamento di processo. Veja também: Falhas no caso Madeleine Polícia identifica cabelo de Madeleine em carroVivemos um constante pesadelo, diz pai DNA na mala do carro é de Madeleine, diz TimesPolícia repassa caso Madeleine para Promotoria Segundo um comunicado da Procuradoria, são necessárias "novas diligências" para o fechamento da investigação. O texto não especifica que diligências são essas. Nesta terça-feira, o procurador já tinha mais de mil páginas sobre os quatro meses de investigações conduzidas pela polícia. Segundo vazamentos, os policiais trabalham com a hipótese de que a menina britânica de 4 anos tenha morrido acidentalmente, sendo posteriormente ocultada pelos pais, Kate e Gerry McCann. O acompanhamento processual pedido por Monteiro será feito pelo procurador do distrito de Évora, Luís Bilro Verão, e pelo procurador de Portimão, João Cunha de Magalhães Menezes. Menezes decidiu nesta terça-feira enviar o inquérito policial à Justiça, que será encarregada de formular acusações ou retirar as suspeitas sobre os pais de Madeleine, segundo fontes judiciais. O procurador, que poderia ter adiado o expediente ou até o rejeitado, optou por enviá-lo imediatamente ao juiz. O diretor da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, tinha reconhecido também que ainda faltam no caso os resultados de análise de amostras de sangue e DNA enviadas ao Reino Unido, para onde os pais retornaram no domingo. Incertezas A situação legal dos McCann em Portugal poderia mudar a partir de agora a pedido do procurador ou por iniciativa do próprio juiz, mas o crime do qual são suspeitos não prevê a medida cautelar mais severa, que é a prisão preventiva. Ribeiro alegou que as principais evidências achadas pelos detetives não dão certezas matemática sobre a possível morte da menina e as circunstâncias em que esta teria acontecido. Mas fontes anônimas próximas aos investigadores disseram à imprensa que restos biológicos achados no automóvel alugado pelos McCann 25 dias depois do desaparecimento de Madeleine são dela.  Situação dos McCann Na declaração pública mais explícita que as autoridades fizeram sobre o caso, Ribeiro disse que, considerando as investigações, não acredita que a situação legal dos pais vá mudar. Ele ressaltou, entretanto, que agora é o juiz quem terá a última palavra. Ainda está pendente determinar a situação legal do terceiro "argüido", Robert Murat, britânico que tem uma casa perto do quarto de hotel onde Madeleine desapareceu, na Praia da Luz (sul de Portugal), em 3 de maio. Murat foi o único suspeito no caso até que, após longos interrogatórios, Kate e Gerry McCann foram também declarados "argüidos" na sexta-feira passada, 7, informou seu advogado. O casal ficou sujeito - como única medida cautelar - a notificar ausências de mais de cinco dias de seu domicílio, fixado no Reino Unido. O casal de médicos britânicos negou várias vezes qualquer relação com a hipótese de morte de sua filha, e insistem em pedir que a polícia continue procurando a menina.

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