Investigação sobre foco de febre aftosa se centra em laboratório

Os cientistas acreditam que o contágio tenha acontecido pelo ar

EFE,

05 de agosto de 2007 | 06h35

A investigação sobre o foco de febre aftosa declarado em uma fazenda de gado inglesa se centrava neste domingo, 5, em um laboratório próximo, após a confirmação de que a cepa do vírus é idêntica à utilizada nesse complexo para a fabricação de vacinas e diagnósticos. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, presidirá a partir da manhã deste domingo a próxima quarta-feira reunião desde que começou esta crise do Comitê Cobra do Governo, que costuma ser convocado em casos de emergência. O laboratório de Pirbright, a cerca de poucos quilômetros da fazenda afetada, é partilhado pelo Instituto de Saúde Animal (IAH, em inglês), que trabalha para o Governo britânico e para a União Européia (UE), e pela farmacêutica Merial Animal Health, que utilizou essa cepa em uma remessa de vacinas manufaturada em julho. A veterinária assessora do Governo Debby Reynolds indicou que a cepa, que segundo os atuais indícios é do tipo 01 BFS67 - isolada no foco sofrido pelo Reino Unido em 1967 -, estava presente também para fins diagnósticos no IAH, que realiza investigações sobre doenças animais, incluindo a febre aftosa. A cepa, além disso, não é a que normalmente se encontra em animais, segundo confirmou o Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais britânico (Defra) em comunicado emitido no último sábado. Tanto Reynolds como o Defra quiseram deixar claro que ainda é cedo para afirmar de forma conclusiva qual é a fonte do vírus. "Este incidente continua em uma fase inicial. É muito cedo para estabelecer conclusões firmes", assinalou o Defra, que insistiu em que todas as fontes potenciais do vírus continuarão sendo investigadas e todas as medidas de precaução permanecerão operativas. A farmacêutica Merial Animal Health, propriedade das gigantes Merck e Sanofi-Aventis, aceitou voluntariamente interromper sua produção de vacinas como medida de precaução, o que permitirá Defra realizar "uma investigação minuciosa sobre todas as possíveis fontes deste foco", disse a empresa em comunicado. Segundo o jornal "The Sunday Telegraph", a hipótese mais trabalhada pelos cientistas é a de uma falha nas normas de biossegurança do laboratório, o único com licença para trabalhar com o vírus da febre aftosa. Além disso, os cientistas acreditam que o contágio tenha acontecido pelo ar, dada a distância de apenas poucos quilômetros entre os dois locais. A cepa, segundo a mesma fonte, não seria tão virulenta como a que castigou o Reino Unido em 2001. Após essas descobertas, a veterinária assessora do Governo ordenou uma zona individual de proteção para abranger tanto a fazenda afetada como o laboratório de Pirbright, com uma área única de vigilância de dez quilômetros de raio. Além disso, foi iniciada uma revisão urgente dos planos de biossegurança em Pirbright dirigido pelo catedrático Brian Spratt, da Imperial University. Por outra parte, já terminou o sacrifício dos cerca de 60 animais da fazenda afetada próxima a Guildford, informou Reynolds. Enquanto isso, continuam em operação todas as medidas de precaução estabelecidas pelo Governo britânico para deter a eventual propagação do foco, tanto as zonas de proteção e vigilância como a proibição do transporte de gado em todo o país. O Reino Unido decidiu suspender de forma voluntária suas exportações de gado e produtos animais, e estendeu a investigação de possíveis novos focos a outras fazendas. Tentando evitar a repetição do ocorrido em 2001, quando uma epidemia dessa doença causou estragos no país, Brown prometeu neste sábado que seu Governo faria tudo que estivesse em seu poder e que os especialistas trabalharão "dia e noite" se for preciso. Este é o primeiro foco de febre aftosa no Reino Unido desde a epidemia de 2001, que levou ao sacrifício de entre 6,5 e 10 milhões de cabeças de gado e gerou perdas de aproximadamente £ 8,5 bilhões (cerca de € 12,5 bilhões).

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