Investigação sobre naufrágio pode ser ampliada, diz advogado do capitão

Telefonemas entre Francesco Schettino e empresa proprietária do navio devem ser analisados

Reuters

23 de janeiro de 2012 | 19h38

GIGLIO - Uma investigação criminal sobre a nefasta viagem do Costa Concordia, que terminou com pelo menos 15 mortos e o navio de cruzeiro naufragado na costa italiana, pode ser ampliada, disse um advogado do capitão nesta segunda-feira, 23. O número de mortos inclui os corpos de duas mulheres encontrados por mergulhadores na segunda-feira. Suas nacionalidades até agora são desconhecidas.

 

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O capitão Francesco Schettino foi acusado de provocar o acidente e está sendo investigado por homicídio múltiplo e por ter abandonado o navio de 450 milhões de euros (590 milhões de dólares) antes de os passageiros e a tripulação serem retirados.

O advogado de Schettino, Bruno Leporatti, disse em um comunicado que evidências de telefonemas trocados entre seu cliente e os proprietários do navio, Costa Cruises, no momento do acidente, poderia levar a uma ampliação da investigação.

Ele disse que os telefonemas ao diretor de operações do Costa tinham "aberto outros canais para investigação que poderiam levar de forma razoável a um aumento no número daqueles que estão sob investigação". Terceiros poderiam "pelo menos ter contribuído para criar o evento trágico", disse Leporatti.

Segundo transcrições da investigação, Schettino admitiu se aproximar demais da costa. Leporatti disse que embora Schettino esteja disposto a aceitar sua parte da responsabilidade pelo ocorrido, outros fatores estavam envolvidos no acidente.

Investigadores dizem que ele levou o navio a 150 metros da costa, supostamente para "saudar" a ilha. Schettino disse que a manobra era comum, mas a empresa diz que não deveria ter sido feita tão próxima à costa.

A Costa Cruises, uma unidade do Carnival Corp, a maior operadora de navios de cruzeiro do mundo, suspendeu Schettino e se declarou parte lesada no caso. Disse que "um erro humano infeliz" cometido por Schettino provocou o desastre.

A Costa Cruises não recebeu nenhuma notificação de que estava sendo investigada, segundo um porta-voz da empresa. A companhia será franca com os investigadores e tem total confiança na magistratura, acrescentou.

Segundo transcrições do interrogatório de Schettino vazadas para a mídia italiana, o capitão disse que logo depois de atingir a rocha ele enviou dois de seus funcionários para a sala de máquinas para checar o estado da embarcação.

Assim que percebeu a escala dos danos, ligou para Roberto Ferrarini, diretor das operações marítimas da Costa Cruises. "Eu disse a ele: 'eu me meti em uma confusão, houve contato com o fundo do mar. Estou dizendo a verdade, nós passamos sob Giglio e houve um impacto'", disse Schettino. "Não consigo me lembrar de quantas vezes liguei para ele na hora e quinze minutos seguintes. De qualquer forma, tenho certeza de que informei Ferrarini sobre tudo em tempo real".

Se a investigação for ampliada isso vai reduzir a exposição de Schettino, que até agora carregou sozinho a responsabilidade pelo desastre. Seu primeiro oficial, Ciro Ambrosio, também está sendo investigado.

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