Investigado, ministro italiano da Justiça renuncia

Saída de Clemente Mastella ameaça a estabilidade do gabinete do primeiro-ministro Romano Prodi

STE, REUTERS

16 de janeiro de 2008 | 17h36

O ministro italiano da Justiça, Clemente Mastella, renunciou nesta quarta-feira, 16, depois que ele e sua esposa foram envolvidos numa investigação por corrupção. A saída dele ameaça a estabilidade do gabinete do primeiro-ministro Romano Prodi. Quando surgiu a notícia de um mandado de prisão contra a mulher de Mastella, que é presidente do Conselho da região da Campânia, ele conseguiu solidariedade no Parlamento com um discurso aos prantos em que afirmou: "Renunciou porque entre o amor por minha família e o amor pelo poder, escolho o primeiro". Mais tarde, porém, surgiram documentos judiciais mostrando que o próprio Mastella está sendo investigado, junto com outros parentes e correligionários. A oposição então se tornou mais crítica. "Não sejamos hipócritas: não é Mastella, mas todo o governo que deveria renunciar", disse o deputado centro-direitista Gianfranco Rotondi. Mastella, líder de um pequeno partido católico na coalizão de Prodi, se disse vítima de uma perseguição política. Seu partido Udeur tem três cadeiras no Senado, onde a maioria governista é de apenas dois senadores. Por isso, Prodi e seus aliados pediram a Mastella que não abandone o governo. O senador Tomaso Barbato, do Udeur, disse que o partido "absolutamente não" abandonará o governo Prodi. "Não acho que Prodi possa perder Mastella e continuar, dada a situação em que se encontra", disse o professor de Política Franco Pavoncello, da Universidade John Cabot, em Roma. Mastella já havia se desentendido com a ala mais à esquerda da coalizão e havia ameaçado deixar o governo. Sem seus votos, Prodi teria dificuldades em aprovar projetos no Parlamento. A esposa de Mastella, Sandra Lonardo, dirige o Conselho da região em torno de Nápoles. Ela qualificou a investigação como "um episódio amargo que meu marido e eu estamos vivendo por nossa defesa dos valores católicos e dos princípios de moderação e tolerância contra o fanatismo e o extremismo".

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