Investigador acusa pais de Madeleine de simular seqüestro

Ex-responsável do caso diz em livro que a menina morreu e os pais são suspeitos de esconder o cadáver

Efe,

23 de julho de 2008 | 14h50

O ex-inspetor da polícia portuguesa Gonçalo Amaral, que investigou o desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann, afirma em um livro que a criança morreu e seus pais, Kate e Gerry, são suspeitos de simular o seqüestro e esconder o cadáver.  Veja também:Procuradoria portuguesa decide arquivar o caso Madeleine O primeiro responsável da investigação, que foi afastado do caso em outubro por criticar a polícia britânica e se aposentou pouco depois, com apenas 48 anos, inclui em seu livro uma longa lista de comportamentos suspeitos dos pais e de seus amigos, e indica uma conspiração para esconder a morte da menina. O livro Maddie - A Verdade da Mentira, que será apresentado na quinta-feira, 24, pelo ex-policial, revela também que um casal irlandês identificou Gerry McCann como o homem que estava com uma menina nos braços na noite dos fatos, em 3 de maio de 2007, perto do apartamento no sul de Portugal onde Madeleine desapareceu. Os pais da menina britânica saíram da condição de suspeitos na segunda-feira por decisão da Justiça portuguesa, e o caso foi formalmente arquivado pela procuradoria do país. O ex-inspetor diz também que "existem indícios de negligência na custódia e segurança dos filhos" por parte dos McCann, que deixaram sozinhos Madeleine, de 3 anos, e seus filhos gêmeos de 2 anos, enquanto saíam para jantar com um grupo de amigos. Em um relato pormenorizado dos fatos e da investigação policial ao longo de 216 páginas e 8 folhas de anexos, Amaral diz que a menina morreu ao cair acidentalmente de um sofá do apartamento onde estava de férias com seus pais, imóvel no qual foram detectados vestígios de seu sangue e marcas de seu cadáver. O ex-investigador português denuncia pressões políticas e interferências diplomáticas no caso e, apesar de elogiar o trabalho das equipes de britânicos que ajudaram a polícia portuguesa, lamenta a falta de colaboração do Reino Unido no momento de proporcionar testemunhos e evidências e inclusive nas análises de DNA realizadas em um laboratório de Birmingham. Os resultados destes testes, nunca revelados oficialmente, identificavam que 15 de 19 marcadores podiam pertencer a Madeleine, diz Amaral, que admite as dúvidas na hora de os atribuir exclusivamente à menina ou a outros membros da família, mas que se queixa da demora e da confusão dos relatórios. Os restos biológicos enviados para o Reino Unido foram encontrados em roupas e objetos pessoais dos McCann, no apartamento e em um automóvel que o casal alugou quase um mês depois do desaparecimento de Madeleine. Detalhes Ao longo de seu relato, Amaral descreve a frieza e muitos detalhes aparentemente comprometedores que mostraram os pais durante a investigação, assim como as contradições entre seus testemunhos e os de seus amigos na noite do episódio. Ele assegura ainda que outro casal de médicos britânicos de seu mesmo circulo informou à Polícia britânica de um comportamento estranho, durante férias em Mallorca, do pai de Madeleine e de seu amigo David Payne em relação a Madeleine e de outra menina. Payne, que segundo Amaral organizou também as férias do grupo no Algarve, e Jane Tanner, cujo testemunho de ter visto o suposto raptor de Madeleine considera falso, aparecem no livro como os amigos mais suspeitos dos McCann. O ex-investigador defende que suas teorias sobre o episódio são "simples e fundamentadas em indícios" e estão baseadas no estudo do local, que tem certeza que foi alterado e preparado para ocultar a verdade. Pressão O ex-inspetor admite que muitas evidências que poderiam ser importantes foram perdidas, pois a polícia não fez um trabalho adequado logo após chegar ao apartamento e outras por falta de colaboração no Reino Unido. Ele também reconhece que a pressão que os investigadores portugueses sentiram diante de um caso com tanta repercussão na imprensa lhes inibiu de vigiar os pais desde o primeiro momento. "Há um cadáver não localizado, constatação validada pelos cães ingleses e corroborado pelos resultados preliminares de laboratório", afirma como conclusão. O terceiro ex-suspeito no caso, o britânico Robert Murat, também perdoado pela promotoria, acabou envolvido depois que Jane Tanner o reconheceu "sem duvidar" como a pessoa que viu naquela noite perto do apartamento com uma menina nos braços.  (Matéria ampliada às 16h30) 

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