Investigadores russos abrem processo contra líder de protesto anti-Putin

Investigadores russos abriram um processo penal contra um proeminente líder de protestos contrários ao presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira, dizendo que um documentário em um canal de TV pro-Kremlin mostrou evidências de que Sergei Udaltsov havia planejado distúrbios em massa.

THOMAS GROVE, Reuters

17 de outubro de 2012 | 11h47

Policiais invadiram o apartamento de Udaltsov em Moscou e disseram que estavam fazendo buscas também nas casas de dois associados que enfrentam as mesmas acusações, cuja pena de prisão é de até 10 anos.

Críticos do governo e grupos de direitos civis afirmam que o Kremlin está realizando uma repressão coordenada na dissidência, exercendo pressão legal sobre ativistas que lideraram os maiores protestos da oposição em quase 13 anos de regime de Putin, motivados por denúncias de fraude eleitoral generalizada.

O processo criminal de Udaltsov centrou-se nas alegações veiculadas em um documentário no canal NTV de que ele recebeu dinheiro e ordens de um aliado do presidente da Georgia, Mikheil Saakashvili, um adversário de Moscou, para causar agitação na Rússia.

"O departamento principal do Comitê Investigativo abriu um processo criminal contra Sergei Udaltsov... com base em evidências de... preparação de distúrbio em massa", afirmou o Comitê Investigativo federal em um comunicado em seu site.

Udaltsov disse no Twitter que ele estava sendo interrogado na sede do Comitê Investigativo. Um assistente, Konstantin Lebedev, foi detido por 48 horas após o seu apartamento ser revistado nesta quarta-feira, relataram agências de notícias russas.

A declaração dos investigadores também afirmou que eles estavam avaliando alegações de que Udaltsov --um esquerdista conhecido por sua cabeça raspada, jaqueta de couro e frequentes encarceramentos de curto prazo por desobedecer a polícia-- havia planejado "atos terroristas" na Rússia.

Udaltsov, um dos líderes de uma série de protestos da oposição que levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de Moscou para pedir uma "Rússia sem Putin", negou as acusações transmitidas na NTV início deste mês.

O Comitê Investigativo, que responde somente ao presidente, também emitiu uma dura advertência aos líderes de protestos, que Putin algumas vezes ridicularizou publicamente e tentou desacreditá-los ao dizer que eles recebem o apoio do Ocidente.

"Aqueles que pensam que podem impunemente organizar motins, planejar e preparar ataques terroristas e outros atos que ameaçam a vida e a saúde dos russos, vocês subestimam o profissionalismo dos serviços especiais russos", disse o comunicado.

O Kremlin parecia estar sondando quão longe poderia ir na repressão aos opositores, de acordo com o parlamentar da oposição Dmitry Gudkov, outro líder de protesto.

"Eles vão medir a temperatura da sociedade. As repressões vão continuar", disse ele, segundo a Interfax.

Desde a posse de Putin em 7 de maio, ele assinou leis aumentando as restrições sobre as organizações não-overnamentais e elevando multas por desordem em manifestações.

O Comitê Investigativo, liderado pelo partidário de Putin Alexander Bastrykin, também tem pressionado a favor das acusações contra o líder da oposição Alexei Navalny por supostamente organizar o roubo de madeira de uma empresa estatal. Navalny, que nega isso, também enfrenta 10 anos de prisão.

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