Irã oferece ajuda aos EUA para reconstruir o Afeganistão

Delegação iraniana propor cooperação nos esforços regionais para conter a rota de tráfico de drogas afegã

Agências internacionais,

31 de março de 2009 | 12h01

O Irã fez nesta terça-feira, 31, um significativo gesto em favor da administração Obama, oferecendo ajuda aos esforços americanos de estabilizar e reconstruir o Afeganistão. Durante a conferência internacional sobre o Afeganistão em Haia, na Holanda, o líder da a delegação iraniana, o vice-chanceler Mohammad Mehdi Akhundzadeh, respondeu positivamente aos planos propostos por Barack Obama para a nova estratégia de combate aos insurgentes.

 

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Após três décadas de enfrentamentos, representantes dos Estados Unidos e do Irã compartilharam uma reunião internacional graças a uma preocupação comum: o tráfico de drogas e a atividade dos grupos extremistas sunitas no Afeganistão. A presença do Irã ocorre pouco depois da oferta de aproximação feita a esse país pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, após 30 anos sem relações entre Washington e Teerã. A delegação iraniana ressaltou a importância de que a nova estratégia internacional no Afeganistão conceda "um papel significativo" em melhorar a situação política e a segurança em seu país vizinho, já que terá efeito em toda a região.

 

O vice-ministro de Exteriores iraniano lamentou que, apesar dos esforços nacionais e internacionais, a insegurança e o tráfico de drogas continuem persistindo no Afeganistão. Ele ainda aspectos como o extremismo e o terrorismo, que "não têm nada a ver com a cultura" e devem ser combatidos a partir de uma perspectiva não só militar, mas também identifique suas causas sociais, políticas e econômicas".

 

Sem fazer referências de nenhum tipo à política americana no Afeganistão, o vice-chanceler iraniano defendeu que as despesas militares sejam "redistribuídas" para o treinamento da polícia e do Exército afegãos. Além disso, disse que as eleições presidenciais de agosto no Afeganistão "contribuirão para o estabelecimento de uma autoridade transparente e efetiva". Esta é a primeira vez que o Irã assiste a uma conferência sobre o vizinho, e vários presentes a esta reunião destacaram a importância desta presença para ajudar em uma solução de caráter regional.

 

Akhondzadeh advertiu que a presença de tropas estrangeiras no Afeganistão só levará a um fortalecimento do extremismo. Em declarações exclusivas divulgadas pela agência oficial de notícias iraniana "Irna", o representante iraniano insistiu, no entanto, em que seu país "apoia uma solução regional" para este conflito. "A presença de tropas estrangeiras nunca levará à paz e à estabilidade ao Afeganistão. Fortalecerá o extremismo", disse o representante iraniano, poucas horas antes de participar da cúpula internacional sobre o Afeganistão realizada em Haia. Akhondzadeh reiterou a postura iraniana, fundamentada em "deixar o povo afegão decidir". "A política de que outros decidam para as autoridades e para a nação afegãs não funcionará", disse.

 

Contrariando a política do seu antecessor George W. Bush, Obama e sua equipe têm buscado uma aproximação com o Irã, apesar dos vários anos de impasse em torno do programa nuclear da República Islâmica. Richard Holbrooke, representante especial de Obama para o Afeganistão e Paquistão, disse que a presença do Irã na conferência é uma parte lógica dos esforços para levar a paz aos afegãos. "Como se pode falar do Afeganistão e excluir um dos países que é um Estado fronteiriço, vizinho?", disse ele a jornalistas em Haia. "A presença do Irã aqui é óbvia."

 

Reconciliação com Taleban

 

Os combatentes do Taleban que abandonarem a luta armada merecem uma "forma honrada de reconciliação", disse nesta terça-feira a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, dias depois de o presidente Barack Obama apresentar uma nova estratégia para a guerra do Afeganistão.

 

"Devemos (...) apoiar os esforços do governo do Afeganistão no sentido de separar os extremistas da Al-Qaeda e do Taleban daqueles que aderiram às suas fileiras não por convicção, mas por desespero", disse Hillary numa conferência em Haia (Holanda), diante da presença de representantes de Irã e Paquistão, entre outros. "Deve-se oferecer a eles uma forma honrada de reconciliação e reintegração em uma sociedade pacífica, caso estejam dispostos a abandonar a violência, romper com a Al-Qaeda e apoiar a Constituição", acrescentou.

 

Antes, o presidente afegão, Hamid Karzai, elogiou a nova iniciativa do governo Obama contra a instabilidade em seu país. "Saúdo o crescente reconhecimento de que sem a verdadeira cooperação dos vizinhos do Afeganistão a vitória sobre o terrorismo não pode ser assegurada", disse Karzai, para quem Obama demonstra uma liderança "nova, forte e judiciosa".

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