Iraque critica incursão da Turquia e exige retirada imediata

O Iraque condenou na terça-feira aincursão da Turquia no norte de seu território para enfrentarguerrilheiros curdos e exigiu o fim imediato do que descreveucomo uma violação de sua soberania. Milhares de soldados turcos cruzaram a fronteira naquinta-feira passada a fim de perseguirem os combatentes dogrupo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que usam aregião de montanha do norte iraquiano como base para sua lutaem nome da criação de um Estado curdo no sudeste da Turquia,onde são maioria. "O gabinete de governo manifesta sua rejeição e condenaçãoquanto à interferência militar turca, que é considerada umaviolação da soberania do Iraque", afirmou o governo iraquianoem um comunicado divulgado por Ali al-Dabbagh, porta-voz dele. "O gabinete de governo ressalta que a ação militarunilateral é inaceitável e ameaça as boas relações existentesentre os dois vizinhos." Dabbagh havia dito antes que um enviado turco se reuniriacom o presidente iraquiano, Jalal Talabani, que é curdo, e comlíderes do governo, entre os quais o ministro iraquiano dasRelações Exteriores, Hoshiyar Zebari, em Bagdá, naquarta-feira. Soldados turcos, com o apoio de aviões, helicópteros deataque e peças de artilharia, enfrentam as guerrilhas curdasenquanto avançam pelas bases do PKK. "A Turquia trava uma luta legítima contra uma organizaçãoterrorista que vem desafiando a paz e a segurança da Turquia",afirmou o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, noParlamento. O Estado-Maior da Turquia disse na terça-feira que maisdois soldados turcos tinham sido mortos, elevando o total para19. O órgão afirma que ao menos 153 combatentes do PKK jáperderam suas vidas. O PKK diz ter matado 81 militares curdos. COMBATENTES MORTOS Um oficial graduado das forças militares comandadas pelosEUA no Iraque disse que cerca de 2.000 soldados turcos tinhamingressado no norte do Iraque. Autoridades turcas falam em 10mil soldados. Um membro das forças de segurança da Turquia disse que osmilitares turcos atacaram um importante centro de comando doPKK no vale Zap depois de assumir o controle do campo Haftanin,localizado a cinco quilômetros para além da fronteira. Outras autoridades turcas afirmaram que os militarestentavam destruir as bases do PKK espalhadas pelo norte doIraque até o reduto deles nas montanhas Qandil. Com isso, aTurquia pretende evitar uma eventual ofensiva dos curdos naprimavera. Segundo Dabbagh, o governo iraquiano teme que a operaçãoamplie-se caso os peshmergas, as forças de segurança dos curdosno Iraque, envolvam-se nos conflitos. "A Turquia precisa compreender a gravidade da situação quepode resultar de um erro militar que ocorresse envolvendo ospeshmergas e as forças turcas," disse o porta-voz do governoiraquiano em uma entrevista coletiva. A liderança turca, sob crescente pressão interna, lançou aoperação na semana passada após acusar as autoridadesiraquianas de não conseguirem deter a ação dos rebeldes. O Iraque defende que o problema do PKK seja solucionadopelas vias diplomáticas. A área dos combates, localizada perto de grandes reservasde petróleo, tem sido uma das poucas regiões relativamenteestáveis do Iraque desde a invasão liderada pelos EUA, em 2003. Erdogan disse na terça-feira que os EUA colaboram com aTurquia na investida repassando-lhe informações. O governo turco responsabilizou o PKK, considerado um grupoterrorista pelos EUA e pela União Européia, pela morte de quase40 mil pessoas desde que começou sua luta para ter autonomia nosudeste da Turquia, em 1984. (Tradução Redação São Paulo, 5511 5644-7745)

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