Irlanda decide nas urnas o futuro da União Européia

Irlandeses votam em referendo sobre tratado que substitui a rejeitada proposta de Constituição para o bloco

Agências internacionais,

12 de junho de 2008 | 07h38

Três milhões de irlandeses tem em suas mãos o futuro da Europa nesta quinta-feira, 12, dia em que o país decide em referendo a ratificação ou não do Tratado de Lisboa, a segunda tentativa da União Européia por uma Constituição. Caso a população vote contra, o bloco pode entrar em mais uma profunda crise, como a desencadeada em 2005, quando França e Holanda rejeitaram a Constituição Européia, substituída pelo tratado. Porém, desta vez sem uma nova proposta.   Veja também: Entenda o referendo na Irlanda e o Tratado de Lisboa   Os centros eleitorais começaram a votação às 7 horas no horário local (3h de Brasília) e têm fechamento previsto para às 22 horas (18h de Brasília). A apuração será realizada apenas na sexta-feira e os resultados devem ser conhecidos no início da tarde. A Irlanda é o único país que submeterá o Tratado de Lisboa ao plebiscito, e sua recusa pode fazê-lo fracassar.   As últimas pesquisas mostram resultados díspares, com algumas prevendo a vitória do "sim", com até 7 pontos de vantagem, e outras mostrando o triunfo do "não", 5 pontos na frente. O Tratado de Lisboa é, na verdade, uma versão reduzida da proposta de Constituição Européia. Após a derrota em 2005, o bloco decidiu retirar itens mais sensíveis como a palavra "constituição" e a criação de um hino e uma bandeira da UE.   Com a aprovação do tratado, o bloco passará a ter um presidente com mandato de dois anos e meio e um encarregado de política externa. As novas regras estabeleceriam ainda o voto por dupla maioria - ou seja, uma medida só será aprovada se for endossada por 55% dos países membros, desde eles representem 65% da população da UE.   Analistas assinalam que se a participação no referendo foi baixo, as chances de vitória do "não" aumentam, opção que ganhou terreno nas últimas semanas. O governo e seus aliados durante a campanha do plebiscito - os principais partidos da oposição, a maioria dos sindicatos e patronais, entre outros -, acreditam que o eleitorado comparecerá em massa à votação. As sondagens apontam ainda um grande número de indecisos, em torno dos 20%.   O governo acredita que a população, ainda que com uma vitória apertada, aprove um texto do qual desconfiam totalmente. Segundo o El Pais, os argumentos a favor do não são variados, como a defesa da neutralidade irlandesa, a recusa de uma política de defesa comum e principalmente perder o bem-estar e os privilégios conquistados nesses anos. A justificativa mais comum é a diminuição da influência da Irlanda na UE. "Os países pequenos perderão peso no Conselho, por sua escassa população. O poder de veto será reduzido. E não teremos um comissário garantido na Comissão", disse Patricia McKenna, líder do Movimento do Povo.

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