Irlanda decide o futuro do Tratado de Lisboa

Derrota no país dificultaria acordo que substitui a Constituição Européia; referendo será votado na 5.ª

Agência Estado e Associated Press,

11 de junho de 2008 | 19h44

O governo irlandês fez nesta quarta-feira, 11, um último apelo à população para que o Tratado de Lisboa da União Européia seja aprovado no referendo que promove na quinta. O novo tratado substitui a proposta para uma Constituição Européia, rejeitada por França e Holanda em votações de 2005.   Veja também: Entenda o referendo na Irlanda e o Tratado de Lisboa   Uma derrota na Irlanda - único país do bloco que realizará uma votação popular - seria um duro golpe para a UE. "Após 35 anos respeitando e ajudando a Irlanda, a UE conquistou o direito de não ser vista como uma ameaça para nós", afirmou o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen.   As últimas pesquisas mostram resultados díspares, com algumas prevendo a vitória do "sim", com até 7 pontos de vantagem, e outras mostrando o triunfo do "não", 5 pontos na frente. "O resultado será muito apertado. Mas acreditamos na vitória", afirmou o ministro da Irlanda para a UE, Dick Roche.   A complexidade do tratado parece estar dificultando a vitória fácil para o "sim". "Acho que ninguém realmente entendeu o que é (o tratado) até agora", disse Patricia Quigley, de 28 anos, em Dublin. "Acho que muita gente não votará porque não entendeu (o tema da votação)", afirmou Margaret O’Toole, de 55 anos, gerente de uma lanchonete na capital irlandesa.   O Tratado de Lisboa é, na verdade, uma versão reduzida da proposta de Constituição Européia. Após a derrota em 2005, o bloco decidiu retirar itens mais sensíveis como a palavra "constituição" e a criação de um hino e uma bandeira da UE.   Com a aprovação do tratado, o bloco passará a ter um presidente com mandato de dois anos e meio e um encarregado de política externa. As novas regras estabeleceriam ainda o voto por dupla maioria - ou seja, uma medida só será aprovada se for endossada por 55% dos países membros, desde eles representem 65% da população da UE.

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