Irlanda rejeita tratado europeu, admite ministro da Justiça

Vitória do 'não' ao tratado que substitui a proposta rejeitada de Constituição pode prejudicar reformas do bloco

Agências internacionais,

13 de junho de 2008 | 07h28

Os primeiro números da apuração do referendo sobre um tratado europeu na Irlanda mostram que o "não" lidera, segundo disse o ministro da Justiça irlandês, Dermot Ahern, nesta sexta-feira, 13. A Irlanda foi o único dos 27 países do bloco que submeteu o Tratado de Lisboa a referendo popular - nos demais, a ratificação ficará a cargo do Parlamento. Uma derrota será um duro golpe para a UE, que tenta aprovar o tratado após o projeto de Constituição européia ter sido derrotado em referendo na França e na Holanda em 2005.   Veja também: Entenda o referendo na Irlanda e o Tratado de Lisboa O ministro da Justiça afirmou na televisão que a população rejeitou a proposta e que esta votação será vencida pelo "não". "Parece que será uma vitória do 'não"', disse ele ao vivo, na televisão. "No fim das contas, por uma série de razões, o povo falou". Correspondentes da emissora de TV pública RTE em outras partes do país também informaram que o "não" liderava a contagem. Dos três milhões de eleitores, cerca de 45% compareceram às urnas.   Ahern disse esperar que todos os demais 26 integrantes da UE aprovem o documento por meio de seus parlamentos até o fim deste ano. Isso deixaria a Irlanda diplomaticamente isolada, mas ainda assim com o poder de impedir que o tratado seja transformado em lei e forçando um período de novas negociações. "Obviamente é desapontador. Está claro que houve uma votação substancial pelo 'não'", admitiu Ahern. "Se acabarmos como o único país que não ratificou o tratado, isso certamente levantará questões. Estamos atravessando águas nunca antes navegadas", comentou.   Preocupados com a possível derrota na Irlanda, os demais países da UE tentavam preparar alternativas para que as reformas no bloco não fossem emperradas.  A França, que assume a presidência da UE no dia 1º, pretende pedir à Irlanda que sugira eventuais mudanças no texto do tratado para a realização de um novo referendo. A opção, porém, pode levar a um tratado pouco contundente. Para conseguir a aprovação do texto atual, os países da UE tiveram de fazer uma série de alterações, como retirar a menção à palavra "Constituição".   A independência fiscal irlandesa, sua neutralidade, sua perda de influência na tomada de decisões na UE, as políticas econômicas ultraliberais de Bruxelas e até o aborto e a eutanásia foram alguns dos assuntos disputados pelos diversos e variados grupos opostos ao Tratado.   Matéria atualizada às 10h55.  

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