Irlanda vai às urnas com maioria a favor do Tratado de Lisboa

País deve aprovar documento com protocolo que preserva autonomia sobre questões como aborto e eutanásia

Efe,

01 de outubro de 2009 | 13h43

Pesquisas indicam que a Irlanda deve aprovar nesta sexta-feira, 2, o texto do Tratado de Lisboa apresentado pela União Europeia para o projeto de reforma ampliada do bloco. Os irlandeses são os únicos que restam aprovar o documento, rejeitado em 2008 por uma pequena margem de votos.

 

Segundo a pesquisa, o percentual de apoio ao Tratado oscila entre 48% e 68%, enquanto os opositores não alcançam a maioria absoluta e ficam entre 17% e 33%. A aprovação irlandesa inclui um protocolo que preserva algumas das exigências do país.

 

Para os defensores do sim, as pesquisas de opinião indicam que o número de indecisos está menor do que na consulta anterior. Isso significa que quase todos os que disseram "não sabem ou não contestam" emitiram um voto negativo por ignorância ou confusão. Por um lado, pelo péssimo trabalho didático do governo durante a

campanha e, por outro, pelo texto de difícil compreensão.

 

Assim, a Irlanda reforça a sua posição em relação à neutralidade da ilha, o vantajoso regime fiscal, a proibição do aborto, a proteção dos direitos trabalhistas ou a manutenção do comissário europeu, questões que levaram o não no plebiscito anterior. Com essas concessões, mais o temor sobre a profunda crise econômica que afeta o país, os irlandeses parecem estar convencidos que a melhor maneira de enfrentar as dificuldades é permanecer no coração da UE.

 

A confirmação do Tratado por todos os membros da UE permaneceu no limbo desde 2008, à espera que nesta sexta, pouco mais de 3 milhões de irlandeses com direito a voto voltem às urnas para depositar a opinião sobre o assunto. No ano passado, o não ao documento teve 53,4%, enquanto os favoráveis somaram 46,6%.

 

Governo

 

Não é fácil convencer os irlandeses da importância do documento, já que é complicado apresentar no formato de um plebiscito à cidadania uma série de questões como as que abordam o Tratado.

 

Com a lição aprendida e os protocolos na mão, o governo não teve que destinar durante esta campanha grande parte do tempo e esforços em desmontar alguns dos argumentos enganosos e errôneos dos opositores, como os referentes ao aborto, à eutanásia e ao divórcio.

 

Para isso, contou com a ajuda de todas as formações da oposição - exceto o Sinn Féin (um dos movimentos políticos mais antigos na Irlanda) -, da patronal, multinacionais, dos principais sindicatos e da poderosa entidade dos agricultores.

 

Até a Igreja Católica aderiu ao debate para assegurar aos fiéis que não há motivos religiosos nem éticos que impeçam os eleitores do país de votar a favor da confirmação do Tratado de Lisboa. Em posição contrária, o Sinn Féin, de Gerry Adams, continua à frente de uma heterogênea coalizão de grupos antimilitaristas, neoliberais, ultracatólicos e de extrema direita ou esquerda.

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